No coração dos Campos Gerais do Paraná, um colégio agrícola estadual mostra que é possível unir educação pública de qualidade, formação técnica e produção agropecuária eficiente. O Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Olegário Macedo, localizado em Castro, registrou uma receita anual de R$ 2,3 milhões em 2025, a maior entre os 32 colégios agrícolas da rede estadual paranaense. Esse valor é fruto da integração entre ensino técnico e atividades produtivas, que vão desde a pecuária leiteira até o cultivo de grãos.

O modelo adotado pela escola é baseado na prática e na autossustentação. Todos os recursos gerados pela produção agropecuária são reinvestidos na própria instituição, fortalecendo a infraestrutura e ampliando as condições de ensino. Isso contribui para reduzir a dependência de recursos públicos e cria um ambiente educacional que prepara os estudantes para o mercado de trabalho real.

Conforme explica o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, "o diferencial dos cursos técnicos é, justamente, aliar teoria e prática, preparando os estudantes para o mercado de trabalho e o ingresso no Ensino Superior". Ele complementa: "Ao formar jovens qualificados e ao mesmo tempo produzir com eficiência, a escola fortalece o agronegócio regional e amplia as oportunidades no campo".

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Com cerca de 120 servidores, o CEEP Olegário Macedo atende 340 alunos do Ensino Médio Técnico em tempo integral. Desse total, 150 estudantes estão em regime de internato, com uma carga horária semanal de 48 horas. Um dado que chama atenção é a participação feminina: 56% dos alunos são mulheres, demonstrando a crescente inserção das mulheres no agronegócio.

Na prática, o colégio funciona como um verdadeiro laboratório do agronegócio. Na pecuária leiteira, a escola conta com cem animais, sendo 50 vacas em lactação que produzem aproximadamente 2 mil litros de leite por dia. Na agricultura, a produção anual alcança mil toneladas de milho para silagem, com produtividade média de 50 toneladas por hectare, além de cerca de cinco mil sacas de soja. A suinocultura também tem espaço, com aproximadamente 500 animais produzidos por ano.

Toda a comercialização é realizada por meio da cooperativa escolar, em parceria com a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, uma das mais tradicionais do país no setor agropecuário. Esse modelo garante um escoamento estruturado da produção e insere os estudantes em uma dinâmica real de mercado, com padrões profissionais de qualidade, logística e negociação.

Para o coordenador de Colégios Agrícolas da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), Renato Gondin, "a combinação entre alto volume de produção, geração de receita e consistência pedagógica coloca a unidade como referência nacional". Ele destaca que o modelo "evidencia que é possível integrar educação pública de qualidade, formação técnica e eficiência produtiva em um único ambiente".

Instalado em uma área de 513 hectares - equivalente a cerca de 760 campos de futebol -, o CEEP Olegário Macedo mantém metade do território como Reserva Legal, percentual bem acima do mínimo de 20% exigido por lei. Essa característica integra a preservação ambiental ao processo formativo dos estudantes, reforçando a importância da sustentabilidade no agronegócio.

O colégio conta ainda com o apoio de empresas e instituições do setor, como a New Holland, responsável pelos equipamentos usados em parte do plantio; a Rolatrek, que presta serviços de manutenção e assistência técnica aos maquinários; a Bowman, no processo de produção de silagem de milho; e a Fazenda Portão Vermelho, fornecedora de matrizes genéticas de ovinos. Essas parcerias envolvem diretamente os alunos nas atividades, ampliando a conexão com o mercado e aproximando-os das tecnologias mais recentes do agronegócio.

Os resultados educacionais são igualmente impressionantes. Ao final de 2025, os 120 alunos da 3ª série registraram 100% de aprovação no Ensino Médio. Desse total, 30 ingressaram em cursos de Ciências Agrárias, principalmente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), enquanto mais de 60% dos demais egressos foram inseridos no mercado de trabalho, sobretudo no setor agropecuário e no cooperativismo. Além disso, o colégio obteve nota 4,8 no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), acima da média nacional do Ensino Médio, de 4,3.

Para a diretora do CEEP Olegário Macedo, Sueli Marcondes Bueno, o principal diferencial pedagógico da instituição está na organização e na cooperação de um corpo docente qualificado, alinhado aos sonhos e objetivos dos alunos. "Certamente, o engajamento das famílias é essencial nesse processo, ao compreenderem e valorizarem a parceria com a escola na construção de um futuro promissor para os estudantes", complementa.

A região de Castro, sede do colégio agrícola, está no centro de uma das mais importantes áreas produtivas do país. O município é líder nacional na produção de leite, com 484 milhões de litros anuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e integra uma das principais bacias leiteiras do Paraná - estado que alcançou, em 2025, a marca de 4,3 bilhões de litros destinados à indústria, com crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

Paralelamente, o estado se consolida como uma das principais potências agrícolas do Brasil, com produção estimada em 45,3 milhões de toneladas de grãos em 2025, mantendo-se entre os maiores produtores nacionais. A soja lidera a produção estadual, seguida pelo milho, culturas que estruturam a base do agronegócio paranaense. Nesse contexto, Castro se destaca também como um dos principais polos agropecuários do estado, ocupando a 3ª posição no ranking estadual de Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), com R$ 3,6 bilhões.

A educação agrícola no Paraná conta com uma rede consolidada de 32 colégios agrícolas estaduais espalhados por todas as regiões do estado. A metodologia de ensino dessas instituições é reconhecida pela integração entre Ensino Médio e Educação Profissional, atendendo principalmente estudantes de regiões rurais e jovens de famílias de pequenos produtores. Ao todo, mais de 8 mil estudantes são atendidos nas escolas agrícolas paranaenses, contribuindo para a permanência dos jovens no campo com qualificação técnica e perspectivas reais de inserção no mercado de trabalho.