O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta segunda-feira (9) que recebeu uma nova denúncia de importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A informação amplia o escopo das investigações sobre o magistrado, que já enfrentava uma acusação anterior envolvendo uma jovem de 18 anos, filha de amigos, durante férias em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.

Segundo o CNJ, a suposta vítima da nova denúncia foi ouvida pela corregedoria nacional de Justiça, órgão responsável por fiscalizar a conduta de magistrados. Com base no depoimento, foi aberta uma nova reclamação disciplinar para apurar formalmente as acusações. O procedimento está sob segredo de Justiça, o que significa que detalhes sobre a identidade da vítima, o local e a data do suposto episódio não foram divulgados publicamente.

Esta é a segunda denúncia recebida pelo CNJ contra o ministro em pouco tempo. Na semana passada, o conselho tomou conhecimento da primeira acusação, envolvendo uma jovem de 18 anos que alega ter sido agarrada por Buzzi durante um banho de mar. O episódio teria ocorrido no mês passado, enquanto o ministro, a jovem e seus pais passavam férias em Balneário Camboriú. Diante da gravidade das alegações, o STJ abriu uma sindicância interna para investigar o caso.

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Em resposta às acusações, Marco Buzzi, de 68 anos, apresentou um atestado médico e está afastado do trabalho por questões de saúde. O afastamento ocorre paralelamente às investigações em curso, que agora envolvem tanto o STJ quanto o CNJ. A situação coloca sob os holofotes a conduta de um dos membros de um dos tribunais superiores do país, em um momento de crescente debate sobre assédio e importunação sexual no Brasil.

A defesa do ministro, formada pelos advogados Paulo Emílio Catta Pretta e Maria Fernanda Ávila, emitiu uma nota negando veementemente as acusações. Eles afirmaram que ainda não tiveram acesso aos procedimentos abertos no CNJ, mas garantiram que Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio. “O ministro Marco Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbitos dos procedimentos já instaurados”, disse a defesa, sinalizando que contestará as denúncias nos fóruns adequados.

O caso tem repercutido amplamente na mídia e no meio jurídico, levantando questões sobre os mecanismos de apuração de condutas de magistrados. O CNJ, como órgão central de controle da atividade judiciária, tem a atribuição de investigar e, se necessário, punir desvios de conduta, garantindo a transparência e a integridade do Poder Judiciário. Com o novo procedimento em sigilo, a expectativa é que as investigações avancem com cautela, respeitando tanto os direitos das supostas vítimas quanto a presunção de inocência do ministro.

Enquanto isso, o STJ mantém sua sindicância em andamento, e a sociedade acompanha atentamente os desdobramentos de um caso que mistura alegações graves, afastamento por saúde e a atuação de instituições-chave da Justiça brasileira. O resultado dessas apurações poderá influenciar não apenas a carreira de Marco Buzzi, mas também a confiança pública no sistema judiciário.