A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou uma carta à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana manifestando solidariedade diante do atual contexto vivido no país, após o ataque conduzido pelo governo norte-americano. No documento, divulgado nas redes sociais, a CNBB avalia o cenário no país vizinho como um momento marcado por tensões, sofrimentos e incertezas que atingem o povo venezuelano.
"Unimo-nos espiritualmente às vossas orações e iniciativas pastorais, expressando nossa solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas", diz trecho da carta. "Como pastores da Igreja na América Latina, partilhamos a dor do povo que sofre e renovamos nossa esperança na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante", completou o comunicado.
Na carta, a CNBB cita o diálogo sincero, a justiça e o respeito à dignidade da pessoa humana e à soberania das nações como único caminho capaz de promover o bem comum, além de "fortalecer a democracia e construir uma convivência social marcada pela reconciliação e pela paz duradoura". O texto finaliza com um apelo: "Que o Espírito Santo continue a sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos e conduzindo o povo venezuelano pelos caminhos da unidade e da esperança."
O ataque mencionado pela CNBB ocorreu no último sábado (3), quando diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa Cilia Flores foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
Este ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico. Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.
O governo de Donald Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
A posição da CNBB se soma a outras manifestações internacionais. A China já declarou que a ação dos EUA na Venezuela viola o direito internacional, enquanto o embaixador venezuelano no Brasil afirmou que a medida ameaça a paz na América do Sul. No Brasil, um protesto em São Paulo pediu a soltura de Maduro e a autonomia da Venezuela, refletindo a polarização em torno do tema.
A carta da CNBB reforça o papel da Igreja Católica como mediadora em conflitos internacionais, especialmente na América Latina, onde a entidade tem histórico de atuação em momentos de crise política e social. A solidariedade expressa pelos bispos brasileiros destaca a preocupação com a estabilidade regional e o respeito à soberania dos povos, princípios que têm sido frequentemente debatidos no contexto das relações internacionais contemporâneas.

