INTRODUÇÃO
A plataforma de inteligência artificial Clarifai deletou 3 milhões de fotos que obteve do aplicativo de relacionamentos OkCupid para treinar seu sistema de reconhecimento facial, conforme revelado por documentos da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC). A empresa também apagou quaisquer modelos de IA treinados com esses dados, em um caso que expõe graves violações de privacidade e políticas de uso de informações pessoais.
DESENVOLVIMENTO
De acordo com a investigação da FTC, a Clarifai solicitou os dados ao OkCupid em 2014, quando executivos do aplicativo já investiam na empresa de IA. O OkCupid forneceu as fotos enviadas pelos usuários, juntamente com dados demográficos e de localização, em clara violação de suas próprias políticas de privacidade. Em emails revelados, o fundador da Clarifai, Matthew Zeiler, descreveu o banco de dados do OkCupid como "uma quantidade ENORME de dados incríveis" para treinamento de IA.
A FTC só abriu investigação em 2019, após reportagem do New York Times mencionar que a Clarifai usava imagens do OkCupid para desenvolver ferramentas que estimavam idade, sexo e raça com base no rosto. O caso foi resolvido no mês passado, com a FTC proibindo permanentemente o OkCupid e sua controladora Match Group de deturpar ou auxiliar na deturpação sobre coleta e compartilhamento de dados. A agência também alegou que as empresas ocultaram o comportamento desde 2014 e tentaram obstruir a investigação.
CONCLUSÃO
Este caso histórico demonstra como empresas de tecnologia frequentemente contornam políticas de privacidade para alimentar sistemas de IA, enquanto órgãos reguladores demoram anos para agir. A confirmação da Clarifai sobre a exclusão dos dados valida as alegações da FTC, mas a incapacidade da agência de aplicar multas por essa primeira ofensa revela limitações na proteção efetiva dos dados dos usuários na era da inteligência artificial.

