Viver com mais qualidade e sem dores é o desejo de todo paciente que enfrenta problemas na coluna. Agora, essa expectativa ganha um aliado de peso no sistema público de saúde do Paraná. Pela primeira vez, cirurgias endoscópicas de coluna estão sendo realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG). A técnica, considerada minimamente invasiva, representa um avanço significativo no tratamento de patologias como hérnia de disco, estenose de canal lombar e estenose foraminal – condições que causam dor intensa e limitam a mobilidade.
O procedimento é realizado com o auxílio de raio-X para marcar o ponto exato de entrada na coluna. A cirurgia começa com uma pequena incisão de 1 a 2 centímetros. Em seguida, são inseridos um marcador, uma cânula de trabalho e, finalmente, o endoscópio – um equipamento que possui iluminação própria, canal para passagem de instrumentos e sistema de irrigação que mantém o campo de visão limpo durante a operação.
Segundo o médico Luiz Henrique Cardoso Pereira, a principal diferença entre o método endoscópico e a cirurgia tradicional está no uso do microscópio ou da lupa, associado à endoscopia. “Isso permite uma lesão menor da musculatura e a retirada reduzida de osso. Isso faz com que a recuperação do paciente seja muito mais rápida e, a longo prazo, diminui a chance de complicações, como o desgaste da coluna”, explica o especialista.
Os benefícios se estendem a diferentes faixas etárias. Para pacientes jovens, a técnica reduz as chances de problemas futuros. “Eles têm uma vida longa pela frente. A chance de ocorrerem complicações futuras relacionadas ao desgaste é muito menor”, destaca Luiz Henrique. Já para os idosos, um dos pontos positivos é a perda de sangue significativamente reduzida em comparação aos procedimentos abertos. “É quase zero. Muito baixa mesmo”, complementa.
O chefe da neurocirurgia nos HUs, Fabio Alex Fonseca Viegas, comemora a conquista para a saúde pública dos Campos Gerais. “Esta técnica moderna, minimamente invasiva, traz benefícios incríveis para o paciente: menor corte e cicatriz reduzida, menos dor no pós-operatório, recuperação rápida, alta hospitalar precoce e retorno ágil às atividades diárias”, explica. Por meio do endoscópio, é possível realizar uma cirurgia que causa menos trauma do que os procedimentos convencionais.
Segundo Viegas, o grande diferencial do HU-UEPG é a capacitação da equipe. “Contamos com neurocirurgiões altamente especializados, oferecendo um padrão de excelência técnica raramente visto no serviço público. É tecnologia de ponta e competência médica a serviço da nossa população”, diz.
A diretora-geral dos HUs, Fabiana Postiglione Mansani, destaca que a realização desse tipo de cirurgia demonstra o avanço em complexidade, em tecnologia, e também na especialização e capacitação das equipes médicas. Além disso, ela comemora o conforto e a segurança trazidos para os pacientes atendidos pelo SUS. “Cirurgias minimamente invasivas têm uma recuperação muito mais rápida. O paciente consegue ficar menor número de dias dentro do hospital e isso faz com que o nosso HU se torne ainda mais eficiente”, enfatiza.
“Todo mundo ganha”, reforça o diretor técnico dos HUs, Marcelo Young Blood. “O cirurgião consegue fazer um procedimento com uma tecnologia de ponta – e a gente tem equipe treinada para isso –, o paciente ganha no tempo de internamento, com menor dor no pós-operatório, na recuperação mais rápida, e o SUS ganha também, no sentido de que esse paciente fica menos tempo no hospital, vai requerer uma menor reabilitação, e acaba que o paciente pode retornar mais rápido ao trabalho e às funções que ele já exercia anteriormente”.
A oferta dessa tecnologia em um hospital 100% SUS é considerada um marco. A técnica foi incorporada recentemente ao serviço de saúde do Brasil, passando a integrar o rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS) em 2021, o que, na prática, garante que pacientes de planos de saúde tenham direito a acesso ao método sempre que houver indicação médica. Agora, com a implementação no HU-UEPG, o avanço chega também aos usuários do sistema público, democratizando o acesso a tratamentos de ponta para problemas de coluna.

