No coração da Cinelândia, entre o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional, um símbolo da cultura carioca completa um século de história. O Cine Odeon, que nesta segunda-feira (30) celebrou 100 anos de existência, mantém-se como testemunha das transformações do Rio de Janeiro e do próprio cinema brasileiro, desde os tempos da Belle Époque até os dias atuais.

Sob gestão do grupo Kinoplex, pertencente à família Severiano Ribeiro, o Odeon resiste à era dos multiplex em shopping centers preservando a experiência coletiva das grandes salas de rua. Durante as comemorações do centenário, Luiz Severiano Ribeiro Neto reafirmou o compromisso histórico do cinema com a produção nacional: "O Cine Odeon é um cinema que se orgulha de sempre exibir filmes brasileiros. O Odeon está casado com o cinema brasileiro".

A trajetória do cinema se confunde com a própria história cultural do Rio. Desde a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, o Odeon passou por reformas e consolidou-se como sede de eventos importantes como o Festival do Rio, além de estreias e mostras que priorizam regularmente a produção nacional.

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As celebrações do centenário foram marcadas pela pré-estreia do filme Rio de Sangue, com a presença do diretor Gustavo Bonafé e da atriz Alice Wegmann. Para Bonafé, o Odeon representa mais do que uma simples sala de exibição: "A gente sabe da batalha que é para nós artistas manter o cinema nacional com espaço nas salas. O Odeon é um parceiro nessa luta, um cinema que durante muitos anos abriu espaço para o cinema nacional ser visto".

O diretor explicou ainda a dupla natureza de sua obra: "Rio de Sangue é um filme de ação que fala sobre o amor entre mãe e filha, mas também traz um pano de fundo muito importante, que é o garimpo ilegal na Amazônia. O maior desafio foi tratar esse tema com seriedade e conhecimento".

Alice Wegmann, por sua vez, compartilhou a relação afetiva que mantém com o espaço: "É muito especial estar aqui exibindo Rio de Sangue no Cine Odeon, que está completando 100 anos. Eu vim muito aqui assistir filmes brasileiros e o Festival do Rio. Tenho memórias muito boas desse lugar".

Para marcar a data histórica, o Kinoplex preparou uma ação especial com ingressos a R$ 1 + taxa para sessões das 18h30, iniciativa que busca reconectar o público à experiência única do cinema de rua e celebrar um século de resistência cultural.

Enquanto outros cinemas históricos desapareceram ou se transformaram, o Odeon mantém suas portas abertas, continuando a escrever sua história junto com a do cinema brasileiro. Sua persistência representa não apenas a sobrevivência de uma sala de projeção, mas a manutenção de um espaço de encontro, debate e celebração da cultura nacional.