O município de Matias Barbosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, decretou estado de calamidade pública nesta terça-feira (24) após fortes chuvas que alagaram a cidade e causaram graves impactos na infraestrutura local. Com cerca de 14 mil habitantes, a cidade vizinha a Juiz de Fora (MG) teve serviços essenciais suspensos e busca agora recursos federais para ações emergenciais.

As imagens aéreas mostram uma cidade completamente alagada, com ruas transformadas em rios e bairros submersos. A prefeitura informou que a medida de calamidade pública visa viabilizar o acesso a recursos federais para agilizar ações emergenciais e garantir o atendimento às famílias afetadas pela enchente que atingiu diversas regiões do município.

A Secretaria de Educação de Matias Barbosa suspendeu as aulas para evitar deslocamentos de estudantes e professores. De acordo com comunicado, ainda não há previsão de retorno das atividades escolares. Já a Secretaria de Saúde fechou, nesta terça, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a farmácia central, concentrando os atendimentos de urgência na Policlínica Municipal.

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Diante da situação crítica, as Escolas Municipais Marieta Miranda Couto, no bairro Nossa Senhora da Penha, e Lucy de Castro Cabral, no Centro, estão funcionando como pontos de acolhimento para moradores desalojados. Segundo a prefeitura, as unidades estão oferecendo almoço e demais refeições às famílias atendidas.

A prefeitura orienta que doações de alimentos, água potável, produtos de higiene pessoal, roupas e outros itens essenciais devem ser direcionados para esses espaços. A Escola Municipal Orlinda de Albuquerque Castro e a Creche Municipal Heley também estão recebendo doações, funcionando como pontos de coleta.

A tragédia não se limita a Matias Barbosa. Na região, Juiz de Fora (MG) registra deslizamentos que causaram a morte de pelo menos 21 pessoas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. No município de Ubá (MG), a cerca 110 quilômetros de Juiz de Fora, sete pessoas morreram. Na região, 40 pessoas seguem desaparecidas. Segundo as autoridades, ainda há registros de pessoas soterradas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume acumulado de chuva recente na região chegou a 209,4 milímetros, totalizando 589,6 milímetros no mês de fevereiro. A atuação de uma frente fria estacionária no litoral do Sudeste mantém o cenário de instabilidade.

A partir de quarta-feira (25), o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na Zona da Mata e Sul/Sudoeste de Minas. Na quinta-feira (26), a formação de uma área de baixa pressão atmosférica próxima ao litoral deverá ampliar as instabilidades em diversas regiões do estado, incluindo Metropolitana de Belo Horizonte, Central Mineira, Norte e Noroeste, com previsão de acumulados entre 40 e 60 milímetros.

Diante do solo já encharcado, recomenda-se atenção redobrada para risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis. As autoridades alertam para a necessidade de evitar deslocamentos desnecessários e seguir as orientações dos órgãos de defesa civil.