Um sistema de baixa pressão que atua sobre o Paraguai e norte da Argentina tem sido o grande responsável pelas chuvas torrenciais que castigam várias cidades paranaenses desde a última sexta-feira (12). A combinação desse sistema com um cavado meteorológico em altitude - uma região alongada de baixa pressão atmosférica - potencializou o ingresso de umidade e calor da Amazônia para o Sul do Brasil, criando as condições perfeitas para tempestades severas.
De acordo com dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os maiores acumulados de chuva na sexta-feira foram registrados em Assis Chateaubriand (138,8 mm), Cambará (126,2 mm), Guaíra (121,6 mm), Palotina (140,6 mm) e Ubiratã (108,8 mm). Em todas essas cidades, esses foram os maiores volumes de precipitação registrados em 2025 até o momento.
O sábado (13) trouxe alívio parcial para algumas regiões, com o núcleo mais intenso do sistema se deslocando para São Paulo através dos Campos Gerais e faixa Norte, sem atingir o Leste paranaense. Mesmo assim, Londrina registrou 52,6 mm e Cambará 37 mm de chuva. No domingo (14), os destaques foram Paranavaí (106 mm), Guaíra (90,4 mm) e Fazenda Rio Grande (57 mm), sendo que em Paranavaí e Fazenda Rio Grande esses foram os maiores acumulados do ano.
Frente fria traz nova onda de tempestades
Nesta segunda-feira (15), a situação meteorológica continua preocupante. Uma frente fria atravessa o sul do Brasil pelo oceano e deve chegar ao Paraná no período da noite, elevando novamente os índices de instabilidade. "São esperadas pancadas de chuva, que podem ser pontualmente intensas, e temporais localizados, com rajadas de vento e queda de granizo pontual", explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
Antes mesmo da chegada da frente fria, algumas cidades já registraram volumes significativos de chuva até as 11h da manhã desta segunda: Paranavaí (19,6 mm) e Santo Antônio da Platina (16,2 mm).
Previsão para os próximos dias
A chuva deve continuar na terça-feira (16), com temporais mais generalizados nas regiões Oeste e Norte do Paraná, e de forma mais localizada do Centro ao Leste. "No Interior, na tarde de terça, uma massa de ar um pouco mais seca e fria predomina e diminui as instabilidades, mas ainda assim são esperadas algumas pancadas de chuva, especialmente na região que faz divisa com o Estado de São Paulo", detalha Furlan.
Por conta da nebulosidade, as temperaturas não devem subir muito na terça-feira. A partir da quarta (17) até a sexta-feira (19), devido à circulação marítima, a nebulosidade seguirá na faixa Leste, com possibilidade de chuviscos ocasionais nas praias, principalmente na sexta. Na Capital, as temperaturas na quarta devem ficar entre 13°C e 19°C, enquanto em Guaratuba a variação será de 17°C a 22°C.
No Interior, o sol deve predominar, mas durante a tarde, especialmente na faixa norte, são esperadas pancadas de chuva irregulares e com fraca intensidade - a típica chuva de verão. A nova estação chega oficialmente no domingo (21), às 12h03.
Cidades que já superaram a média histórica
Os dados do Simepar revelam um cenário preocupante: 15 estações meteorológicas já ultrapassaram a média histórica de acumulados para o mês de dezembro em apenas 15 dias. Os destaques ficam para Cambará, Cornélio Procópio, Guaíra, Londrina, Palotina e Paranavaí, que em apenas duas semanas já tiveram pelo menos 100 mm de chuva acima da média do mês.
Guaíra lidera o ranking com impressionantes 382,8 mm de chuva acumulados até o dia 14, contra uma média histórica de 170,5 mm para dezembro - um excesso de 212,3 mm. Cambará registrou 297,6 mm (média: 141,1 mm), Londrina 287,2 mm (média: 176,3 mm), Palotina 283,4 mm (média: 174,9 mm), Cornélio Procópio 262,6 mm (média: 142,8 mm) e Paranavaí 264,6 mm (média: 161,8 mm).
Outras cidades que também já superaram suas médias históricas incluem Altônia, Apucarana, Cascavel, Loanda, Santa Helena, Santo Antônio da Platina, São Miguel do Iguaçu, Toledo e Umuarama.
Com a frente fria ainda em atuação e a possibilidade de mais tempestades, as autoridades recomendam que a população fique atenta aos alertas meteorológicos e evite áreas de risco durante os períodos de chuva intensa.

