As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nesta semana deixaram um rastro de destruição e luto em vários municípios do estado. De acordo com o balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais nesta sexta-feira (27), o número de mortos chegou a 65 pessoas, sendo 59 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Além das vítimas fatais, quatro pessoas seguem desaparecidas - duas em cada uma dessas cidades.

Os números foram atualizados ao longo do dia. Até a manhã desta sexta, o levantamento apontava 64 óbitos, mas durante a tarde os bombeiros localizaram mais um corpo em Juiz de Fora, no Bairro Parque Burnier. As equipes de resgate continuam trabalhando intensamente para buscar sobreviventes e retirar corpos em meio aos escombros deixados pelos deslizamentos de terra e alagamentos.

A situação em Juiz de Fora é especialmente grave. Segundo dados da prefeitura, mais de 4,2 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas na cidade. A Defesa Civil local registrou 2.149 ocorrências desde a última segunda-feira (24), quando as chuvas começaram a causar estragos significativos. Em Ubá, o número de desabrigados e desalojados chega a pelo menos 1,2 mil pessoas.

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A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, fez um alerta preocupante durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira. Segundo ela, "uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco", destacando a necessidade urgente de intervenções por todo o município para evitar novas tragédias. A afirmação da gestora municipal revela a dimensão do desafio que a cidade enfrenta não apenas na resposta à emergência atual, mas também na prevenção de futuros desastres.

Em meio à tragédia, chegam também notícias de solidariedade e apoio. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou nesta sexta-feira o repasse de R$ 6,196 milhões para ações de resposta em sete municípios atingidos por desastres naturais em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul. Em Minas, os municípios de Ubá e Matias Barbosa - este último também afetado pelas chuvas - estão entre os contemplados com os recursos federais.

Os valores serão destinados a ações emergenciais como assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de infraestruturas danificadas. A liberação dos recursos ocorre em um momento crítico, quando as prefeituras dos municípios afetados enfrentam dificuldades financeiras para arcar com os custos da resposta ao desastre.

Enquanto as equipes de resgate continuam seu trabalho nas áreas mais afetadas, a população local e voluntários de outros estados se mobilizam para ajudar as vítimas. A tragédia em Minas Gerais revela, mais uma vez, a vulnerabilidade de muitas cidades brasileiras frente a eventos climáticos extremos, especialmente em áreas com ocupação irregular e falta de infraestrutura adequada de drenagem e contenção de encostas.

As chuvas devem continuar nos próximos dias em várias regiões de Minas Gerais, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o que mantém as autoridades em alerta para possíveis novos deslizamentos e alagamentos. A Defesa Civil estadual recomenda que moradores de áreas de risco busquem abrigo em locais seguros e sigam as orientações das equipes de emergência.