O Departamento de Comércio dos EUA autorizou a Nvidia a exportar seus chips H200 para clientes aprovados na China, revertendo parcialmente restrições anteriores. A decisão, confirmada em 8 de dezembro, permite que a empresa envie processadores de inteligência artificial consideravelmente mais avançados do que os H20 desenvolvidos especificamente para o mercado chinês, mas com uma limitação crucial: apenas unidades com aproximadamente 18 meses de idade. Como contrapartida, o governo americano receberá 25% do valor dessas vendas, segundo relatos do CNBC.
A medida cria um conflito direto com preocupações de segurança nacional expressas pelo Congresso. Apenas quatro dias antes do anúncio, os senadores Pete Ricketts (republicano) e Chris Coons (democrata) apresentaram o projeto de lei SAFE Chips Act, que bloquearia a exportação de chips avançados de IA para a China por 30 meses. A Nvidia, porém, comemorou a decisão executiva, com um porta-voz afirmando ao TechCrunch que ela "permite que a indústria americana de chips compita para apoiar empregos bem remunerados e a manufatura nos EUA".
A postura do governo Trump sobre o tema tem sido volátil ao longo de 2024. Em abril, a administração impôs requisitos de licenciamento para empresas como a Nvidia, mas em maio revogou uma regra da era Biden que regulamentaria as exportações. No verão, sinalizou que permitiria envios desde que o governo recebesse 15% da receita, transformando os chips em moeda de troca nas negociações comerciais com a China. Essa hesitação contrasta com a posição historicamente mais consistente e cautelosa do Congresso, onde há preocupações bipartidárias.
O mercado chinês para chips americanos já enfrenta desafios significativos. Em setembro, a Administração do Ciberespaço da China proibiu empresas domésticas de comprarem chips da Nvidia, forçando-as a depender de alternativas menos avançadas de Alibaba e Huawei. Essa medida, combinada com as restrições americanas anteriores, tensionou a cadeia de suprimentos tecnológica entre as duas potências. Em uma postagem no Truth Social, o presidente Trump afirmou que o líder chinês Xi Jinping "respondeu positivamente" à notícia sobre os H200.
A decisão coloca em xeque a eficácia da legislação proposta no Congresso. Com a luz verde já dada pela administração Trump, não está claro quando ou se os legisladores votarão o SAFE Chips Act. A autorização atual cria um precedente onde interesses comerciais e geopolíticos imediatos parecem sobrepor-se a preocupações estratégicas de longo prazo sobre transferência de tecnologia sensível.
Em conclusão, a volta dos chips H200 à China representa uma vitória comercial de curto prazo para a Nvidia e para a administração Trump, que busca capitalizar economicamente e diplomaticamente da abertura. No entanto, essa movimentação amplifica as tensões entre os poderes Executivo e Legislativo dos EUA sobre como gerarar a rivalidade tecnológica com a China. O cenário expõe a fragilidade de uma política de exportação de tecnologia sensível que muda conforme os ventos políticos, enquanto a China continua a desenvolver suas capacidades domésticas. O imposto de 25% funciona como um paliativo fiscal, mas não resolve o dilema estratégico fundamental: como equilibrar ganhos econômicos com a proteção da vantagem tecnológica americana em um setor crítico como a inteligência artificial.

