O governo da China criticou duramente, nesta quinta-feira (8), a apreensão de dois navios-petroleiros pela Guarda Costeira dos Estados Unidos em águas internacionais. A ação ocorreu na quarta-feira (7) e gerou protestos imediatos de Pequim e Moscou, acirrando as tensões diplomáticas em torno do cumprimento de sanções unilaterais e da soberania marítima.

Ao apreender arbitrariamente as embarcações de outros países em alto-mar, os EUA violaram seriamente o direito internacional, declarou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, em coletiva de imprensa realizada em Pequim. A diplomata reforçou a posição chinesa contra medidas que considera ilegais. A China se posiciona contra sanções ilícitas unilaterais que não têm base no direito internacional ou autorização do Conselho de Segurança da ONU, bem como contra qualquer movimento que viole os propósitos e princípios da Carta da ONU e infrinja a soberania e a segurança de outros países, acrescentou.

Segundo as autoridades estadunidenses, os navios-tanques Marinera (antes registrado como Bella I) e M/T Sophia foram apreendidos por violação de sanções dos EUA, com base em um mandado judicial emitido por um tribunal federal. A secretária nacional de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que as embarcações seriam usadas para transportar petróleo venezuelano para outras nações, contornando as restrições impostas por Washington ao governo de Nicolás Maduro.

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O caso do Marinera ganhou contornos dramáticos. De acordo com Kristi Noem, a Guarda Costeira perseguiu o navio por semanas até alcançá-lo em um ponto do Atlântico Norte, na zona econômica exclusiva da Islândia, segundo dados do site de tráfego marítimo Marinetraffic. Este petroleiro vinha tentando fugir da Guarda Costeira há semanas, até mesmo mudando sua bandeira e pintando um novo nome no casco, em uma tentativa desesperada e fracassada de escapar, escreveu a secretária em suas redes sociais. As autoridades dos EUA alegam que a tripulação assumiu a bandeira russa poucos dias antes da apreensão, em uma manobra para burlar as sanções.

A Rússia, porém, rejeitou veementemente a versão estadunidense. Em nota divulgada pela agência estatal TASS, o Ministério das Relações Exteriores russo cobrou que os Estados Unidos cesse imediatamente o que classificou como uma ação ilegal contra o petroleiro Marinera. O ministério admitiu que o navio recebeu permissão temporária para navegar sob a bandeira russa no dia 24 de abril e estava em trânsito pacífico por águas internacionais com destino a portos russos. O governo dos EUA recebeu repetidamente informações confiáveis, incluindo do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, sobre a origem russa do navio e seu status civil. Eles não poderiam ter tido dúvidas sobre isso, afirmou a pasta, exigindo ainda tratamento digno para a tripulação russa.

O segundo navio, o M/T Sophia, foi interceptado no Mar do Caribe. O Comando Sul dos EUA alegou que a embarcação interditada estava operando em águas internacionais, realizando atividades ilícitas e será agora escoltada pela Guarda Costeira até território estadunidense.

Durante a coletiva, a porta-voz chinesa Mao Ning também reiterou o apoio de Pequim à Venezuela, afirmando que o governo chinês está pronto para, junto com a comunidade internacional, defender conjuntamente a autoridade do direito internacional; o multilateralismo, a paz e a estabilidade mundial. Ao ser questionada sobre um artigo do alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que expressou preocupação com alegações que tentam justificar intervenção militar na Venezuela, Mao Ning foi taxativa: A China sempre se opõe a transformar os direitos humanos em questões e ferramentas políticas, rejeita uma abordagem seletiva sobre o direito internacional e se opõe a interferir nos assuntos internos de outros países sob o pretexto de questões de direitos humanos.

O episódio ocorre em um contexto de crescentes atritos entre grandes potências, com os EUA ampliando sanções contra a Venezuela e outros países, e China e Rússia fortalecendo alianças diplomáticas em fóruns como a ONU. Analistas apontam que a apreensão dos navios pode acirrar ainda mais as disputas geopolíticas, especialmente em regiões estratégicas como o Ártico e o Caribe, onde interesses econômicos e de segurança se entrelaçam.