O governo da China emitiu uma forte condenação nesta segunda-feira (22) após os Estados Unidos interceptarem um petroleiro com destino ao país asiático na costa da Venezuela. Em declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores chinês classificou a ação como uma "grave violação do direito internacional" e manifestou apoio ao direito venezuelano de manter relações comerciais com outras nações.
O porta-voz do ministério, Lin Jian, afirmou em entrevista coletiva que "a Venezuela tem o direito de desenvolver relações com outros países", em resposta direta à interceptação do navio petroleiro Centuries pela Guarda Costeira dos EUA no sábado. Esta foi a segunda embarcação interceptada em águas internacionais próximas à Venezuela em poucos dias, seguindo o anúncio do presidente americano Donald Trump de um "bloqueio" contra todos os petroleiros sancionados que entram ou saem do país sul-americano.
Segundo documentos obtidos pela imprensa internacional, o petroleiro Centuries havia carregado na Venezuela sob o nome falso de "Crag" e transportava aproximadamente 1,8 milhão de barris de petróleo bruto venezuelano do tipo Merey com destino à China. O governo americano justificou a ação alegando que a embarcação fazia parte de um esquema de evasão ilegal de sanções contra a Venezuela e que operava com bandeira falsa, estando sob ordem judicial de apreensão.
A China é atualmente o maior comprador de petróleo bruto venezuelano, representando cerca de 4% do total de importações do combustível pelo país asiático. Esta relação comercial tem sido alvo de tensões geopolíticas, especialmente após os EUA intensificarem as sanções contra o governo de Nicolás Maduro em 2019.
O governo venezuelano reagiu com veemência à interceptação, classificando o ato como um "grave ato de pirataria internacional". Em comunicados oficiais, autoridades venezuelanas utilizaram termos como "roubo", "sequestro" e "pirataria" para descrever a ação americana, reforçando a posição de que se trata de uma violação da soberania nacional.
Esta não é a primeira vez que tensões envolvendo petroleiros venezuelanos escalam nas águas do Caribe. Segundo a agência Reuters, os EUA já estariam perseguindo um terceiro petroleiro na região, indicando uma possível intensificação da pressão americana sobre o comércio petrolífero venezuelano. A situação expõe as complexas dinâmicas geopolíticas envolvendo três nações com interesses estratégicos distintos na região.
Analistas internacionais observam que o episódio representa mais um capítulo na disputa global por influência e recursos energéticos, com a China defendendo seu direito ao comércio bilateral e os EUA utilizando medidas coercitivas para pressionar mudanças políticas na Venezuela. O direito marítimo internacional e a interpretação sobre a legalidade de interceptações em águas internacionais devem permanecer no centro do debate diplomático nas próximas semanas.

