A conquista da casa própria representa muito mais que quatro paredes e um teto para milhares de mulheres em São Paulo. Para muitas, é o primeiro passo rumo à autonomia financeira, à segurança familiar e à construção de um legado para os filhos. Nesse cenário, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), maior empresa pública de moradia social do país, tem sido uma aliada fundamental na redução das vulnerabilidades que historicamente atingem as mulheres.

Nos últimos três anos, os números comprovam essa transformação: mais de 40% das famílias atendidas pela CDHU são chefiadas por mulheres. Dos mais de 23,3 mil atendimentos realizados no período, 10,4 mil foram destinados a mulheres monoparentais, sendo que mais de 7,9 mil são mães solo. Esses dados mostram como a atuação da estatal tem funcionado como uma ferramenta de mudança social concreta.

Para Cristiane Magda, de 51 anos, cuidadora e mãe solo do adolescente Christyan, de 13, o financiamento da CDHU significou a realização de um sonho de vida inteira. Após anos pagando aluguel em Embu das Artes, na Grande São Paulo, ela finalmente conquistou um apartamento para chamar de seu. "Terei segurança e independência, tudo aquilo que eu não tive antes de ter condições, principalmente por ser mãe solo", comemorou Cristiane. "Sou batalhadora e tenho orgulho de dizer que consegui criar meu filho sozinha e hoje eu tenho a oportunidade de deixar um bem maravilhoso para ele".

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A história se repete em Borborema, na região central do estado, onde Alana Alves Francisco, de 28 anos, secretária e mãe da pequena Samira, de 6, conseguiu sua independência após morar com os pais. "É muita felicidade! Eu sempre esperei para ter minha própria casa", contou Alana. "Agora vai ser diferente, com mais liberdade por morar sozinha com ela. Será uma boa experiência". Para ela, a conquista tem valor duplo: além da privacidade imediata, o imóvel será um patrimônio para a filha.

O financiamento facilitado da CDHU é calculado de acordo com a renda familiar, com duas modalidades: comprometimento de até 20% da renda (com parcelas corrigidas pelo IPCA) ou até 30% da renda (com parcelas fixas sem reajuste). As famílias são selecionadas por sorteio público, garantindo transparência no processo.

Uma inovação importante da CDHU é a emissão dos contratos prioritariamente no nome das mulheres. Quando há cônjuge ou companheiro, ele figura como segundo titular. Essa medida surgiu após a constatação de que era comum homens venderem o imóvel sem consentimento das parceiras. Agora, a mulher é sempre a primeira signatária e qualquer negociação exige sua autorização, protegendo não só ela, mas também os filhos.

Os dados estratificados mostram que, desde 2023, dos 23,3 mil atendimentos, 19,5 mil foram para famílias com mulheres em sua composição. Desse total, mais de 4,8 mil (21%) têm cônjuges mas não dependem financeiramente deles, enquanto outras 4,2 mil (18%) são casadas sem fonte de renda própria.

Além da produção direta da CDHU, o Programa Casa Paulista oferece outra modalidade importante: a Carta de Crédito Imobiliário (CCI). Esse subsídio a fundo perdido, que varia entre R$ 10 mil e R$ 16 mil conforme a localização, ajuda a superar um dos maiores obstáculos para a casa própria: a entrada inicial.

Foi com a CCI que Ellen Ferraz de Brito, de 35 anos, auxiliar administrativa, realizou seu sonho em 2024. "Se não fosse o subsídio, eu acredito que não conseguiria comprar por conta da minha renda", explicou Ellen, que deixou a casa da mãe para morar em um apartamento no centro de São Paulo. "Com o benefício eu consegui comprar sozinha meu primeiro imóvel".

Aos 21 anos, Laila Gomes, agente de aeroporto que veio de Recife para São Paulo, também foi contemplada com o subsídio. "O cheque abriu portas, porque, com ele, não precisei dar uma entrada muito grande", disse ela, que morava com a tia. "Ter o meu próprio imóvel é um passo enorme para minha vida, para criar mais maturidade e responsabilidade".

No interior, em Piracicaba, Caroline Melo Souza, de 32 anos, colaboradora em um centro logístico, comprou seu primeiro apartamento em setembro de 2025 com a ajuda do programa. "Só quem batalha todos os dias sabe a luta que é para conseguir realizar esse sonho", afirmou Caroline. "A gente ter a nossa própria casa traz uma sensação muito boa de independência".

O Programa Casa Paulista concede os subsídios CCI para famílias com renda de até três salários mínimos, que podem ser somados a benefícios federais e ao uso do FGTS. Desde o início da atual gestão, já foram viabilizadas 46,9 mil moradias nessa modalidade, com investimento de R$ 573,8 milhões. Outras 56,2 mil unidades seguem em produção, com mais R$ 716,3 milhões em recursos.

Essas iniciativas mostram como políticas públicas bem desenhadas podem transformar realidades. Para milhares de mulheres em São Paulo, a chave da casa própria tem sido também a chave para uma vida com mais dignidade, segurança e autonomia - conquistas que se estendem para as futuras gerações.