O Carnaval de São Paulo entra no ritmo forte do sambódromo nesta sexta-feira (13), com a primeira noite de desfiles do grupo especial. A abertura dos trabalhos fica por conta da Mocidade Unida da Mooca, que estreia na elite do samba paulistano a partir das 23h. O encerramento da madrugada fica com a Barroca Zona Sul, que inicia sua apresentação às 5h30 de sábado (14). Ao todo, sete escolas se apresentam nesta sexta, e outras sete desfilam no sábado, totalizando 14 agremiações que brigam para evitar o rebaixamento – duas delas cairão para o grupo de acesso após a apuração das notas, prevista para as 16h de terça-feira (17).

A Mocidade Unida da Mooca chega ao grupo especial com um samba-enredo que homenageia o Instituto Gèlèdés, organização fundada por mulheres negras para discutir e se mobilizar em torno de questões sociais, tendo a questão racial como elemento condutor. Intitulado “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, o enredo segue uma linha de homenagens a figuras negras importantes, como Abdias do Nascimento, que a escola já celebrou em seu caminho pelas categorias de acesso. Um trecho do samba diz: "Cada preta que passa por mim / Refaz o caminho de tantas Iyás / Faz levante, coletivo, irmandade / Ostenta o guelé por igualdade / Resiste na pele do tambor, encara o opressor".

Logo após a meia-noite, às 0h5, a Colorado do Brás entra na avenida com o enredo “A Bruxa está solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”. Décima colocada em 2025, a escola da região central usa a personagem das bruxas para discutir solidariedade, rebeldia e força femininas. Em um trecho do samba, a letra convida: "Vem ver! Vai ferver o caldeirão / Tem magia nesse chão / Onde a bruxa é rainha".

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Às 1h10, a Dragões da Real, que ficou em quarto lugar no ano passado com apenas dois décimos atrás da campeã Rosas de Ouro, apresenta o samba-enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma Lendária História de Força e Resistência”. A agremiação retoma a lenda das amazonas para discutir a resistência indígena, com versos como: "A saga renova a esperança / A coragem, hoje é lança / Na ganância do invasor".

A Acadêmicos do Tatuapé, vice-campeã de 2025 com a mesma pontuação da campeã, desfila às 2h15 com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar”. Fundada em 1952, a escola canta a reforma agrária e a agricultura para a produção de alimentos, criticando a concentração de terras: "Mas a ganância por terra sem gente / Faz muita gente sem terra chorar! / Quem planta o mal, espalha ambição / Me dá! Me dá, um ‘pedacim’ de chão".

Às 3h20, a Rosas de Ouro traz para a avenida o samba-enredo "Escrito nas Estrelas", que combina big-bang, astronomia e astrologia. No entanto, a escola começa com meio ponto a menos devido a uma punição por falta de entrega de documentos, o que torna quase impossível a conquista do bicampeonato. Em 2025, a agremiação perdeu apenas 0,2 ponto em todos os critérios. Um trecho do samba diz: "Desenhou o destino da razão / Elevou o tempo da criação / Resplandeceu em verso e prosa / De alma azul, com ascendente em rosa".

Às 4h35, a Vai-Vai, mais antiga entre as agremiações da elite e maior detentora de títulos (15 no total, sendo nove após o início dos desfiles no Sambódromo), apresenta o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”. A escola, cuja última consagração foi em 2015, canta a cidade de São Bernardo, com sua indústria pujante e a força do cinema dos Estúdios Vera Cruz, lembrando também os operários imigrantes presentes em sua fundação no Bixiga. A letra exalta: "Quem trabalha tem alma e coração / Não é ferro, nem máquina, da exploração / Faz valer o suor, não leve a mal / Se desacreditar, vai parar geral!".

Fechando a noite, a Barroca Zona Sul, representando o Jabaquara e a Saúde, entra na avenida às 5h30 com o enredo “Oro Mi Maió OXUM”, uma homenagem ao orixá das águas doces. O samba canta: "Eu vi Mamãe Oxum colhendo lírio, lírio ê / Colhendo lírio pra enfeitar o seu congá / É quem governa o poder da encantaria / É o espelho que nunca vai se quebrar".

Para acompanhar os desfiles no Sambódromo do Anhembi, na Avenida Olavo Fontoura, o público pode usar o transporte público, com linhas de ônibus especiais a partir das estações Portuguesa-Tietê e Palmeiras-Barra Funda do Metrô. Há também cinco bolsões de estacionamento para quem for de carro ou moto. Quem optar por táxi pode desembarcar preferencialmente nas proximidades da Ponte da Casa Verde com a Avenida Braz Leme, que tem o menor trajeto até os portões de entrada. Na saída, são montados quatro bolsões para embarque de passageiros.

É permitido entrar no sambódromo com mochila, capa de chuva e bandeira sem mastro, além de alimentos não perecíveis – com limite de até três itens por pessoa, acondicionados em embalagens flexíveis como sacolas plásticas. O local tem restrições à atuação de ambulantes, e itens como garrafas rígidas, copos térmicos, latas, guarda-chuvas e outros objetos que possam machucar são proibidos, assim como armas brancas ou de fogo, fogos de artifício, sprays e ponteiros de laser ou outros dispositivos emissores de luzes.