Nesta quinta-feira (26), quando se celebra o Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo de Útero, ginecologistas do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo reforçam as estratégias para evitar uma doença que ainda preocupa no Brasil. O câncer de colo de útero (CCU), também conhecido como câncer cervical, ocupa a terceira posição entre os tipos de câncer mais incidentes em mulheres no país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A doença surge a partir de alterações celulares no colo do útero e tem como principal causa infecções pelo papilomavírus humano (HPV), especialmente dos subtipos HPV-16 e HPV-18, responsáveis por cerca de 70% dos casos. A boa notícia é que existem formas eficazes de prevenção: a vacinação contra o HPV e a realização regular de exames preventivos.

Exames que fazem a diferença

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Segundo o ginecologista do HSPE, Dr. Ilzo Vianna Júnior, o exame citopatológico (conhecido popularmente como papanicolau) permite identificar lesões precursoras anos antes de se tornarem um câncer invasivo. "Os exames preventivos, como o DNA HPV e o papanicolau, são instrumentos importantes na detecção de lesões pré-câncer. Quando identificadas e tratadas, evitam a progressão para quadros mais graves", explica o especialista.

As lesões pré-cancerígenas são assintomáticas e evoluem de forma lenta, podendo levar de 10 a 20 anos para se transformar em um tumor. Essa característica reforça a importância da realização regular dos exames preventivos, que permitem detectar células anormais ainda no início das alterações. "Quando o câncer de colo uterino é diagnosticado no início, as chances de cura são maiores. Já o diagnóstico tardio, em geral, é causado pela não realização do teste", afirma Dr. Ilzo.

Quando e com que frequência fazer os exames

Os especialistas recomendam que mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual realizem exames preventivos regularmente. Inicialmente, o exame deve ser feito anualmente, mas após dois exames regulares consecutivos com resultados normais, o intervalo pode ser ampliado para três anos.

Um caso real de superação

Em 2021, Zilda Peretta, de 53 anos, procurou o Serviço de Ginecologia do HSPE após receber o diagnóstico de câncer de colo de útero. "Eu sempre fiz o exame papanicolau, por isso o câncer foi descoberto bem no início. Quando recebi o diagnóstico, eu fiquei sem acreditar. Não tive nenhum sintoma, nenhuma queixa, nenhuma dor", relata.

Zilda passou por um processo delicado de intervenção. Inicialmente, foi submetida a uma conização do colo do útero, procedimento que remove um fragmento em formato de cone da região cervical para biópsia. Os resultados, no entanto, indicaram que o câncer havia se espalhado, exigindo uma segunda intervenção apenas um mês depois: uma histerectomia total (retirada do útero).

O sucesso da operação, realizada em junho de 2021, dispensou a necessidade de tratamentos agressivos como quimioterapia ou radioterapia. Hoje, ela mantém acompanhamento semestral. "O exame papanicolau, que sempre realizei anualmente, foi fundamental para que o câncer tenha sido detectado bem no início. Fiquei surpresa pela rapidez e a forma como fui acolhida no HSPE com profissionais comprometidos com a minha recuperação", finaliza Zilda.

A história de Zilda ilustra como a prevenção e o diagnóstico precoce podem mudar completamente o desfecho de um caso de câncer de colo de útero. Neste Dia Mundial de Prevenção, a mensagem é clara: vacinação contra HPV e exames regulares são a chave para reduzir a incidência desta doença que ainda afeta milhares de brasileiras todos os anos.