Este ano, o Campeonato Municipal de Ibiúna recebe um nome especial em homenagem a um grande apaixonado pelo futebol:Sr. Adauto Vieira Branco. Mais que jogador, ele foi exemplo de dedicação, amor ao esporte e inspiração para toda uma comunidade. A seguir, palavras ditas por seu filho, Edson Vieira Branco, que retratam a grandeza desse eterno torcedor da Vargem: --- Um Eterno Torcedor da Vargem Às vezes eu fecho os olhos e consigo ver meu pai, o Sr. Adauto Vieira Branco, ainda menino, correndo descalço pelo campo de terra da Vargem. Ele tinha só dez anos quando chegou do município vizinho de Piedade. E logo o bairro, o futebol e aquele pedaço de chão se tornaram sua vida. Naquela época, o campo não era onde está hoje. Ficava uns trezentos metros mais à frente. Mas quando o dono da terra doou uma nova área, nasceu o campo atual — justamente ao lado de onde meu pai morava. Era como se o destino tivesse colocado o coração dele batendo em sintonia com a bola que rolava ali. Com treze anos já vestia a camisa do segundo quadro. Aos dezesseis, era titular absoluto da ponta esquerda. Jogava com a 11, dono do drible fácil e do chute potente que arrancava aplausos. Foi campeão municipal duas vezes, em 1964 e 1967, no antigo campo do Treze de Maio. Cada título, cada vitória, cada grito da torcida parecia um pedaço da alma dele. Mas a vida também trouxe provações. Os problemas de saúde o afastaram das quatro linhas muitas vezes. E ainda assim, ele não desistiu. Quando não podia jogar, ajudava na organização. Quando não podia correr, incentivava quem entrava em campo. O que ele não podia era se afastar da Vargem. O bairro cresceu, gente nova chegou, novos times nasceram. E a Vargem, aos poucos, se calou. Lembro como se fosse hoje: um dia voltei para casa com a camisa de outro time. Meu pai, já cansado pela idade, olhou para mim e disse: — “As camisas da Vargem são vermelhas e verdes... Se não for a Vargem, não tem graça.” Foi como se tivesse me entregue uma missão. E eu entendi. Juntei forças com meu compadre Joel, com o Rafael — neto do Noêmio, um dos símbolos da Vargem — e com o Anderson — neto do Ozia, o melhor goleiro que eu vi jogar. Decidimos reerguer a Vargem F.C.. Foram dias de luta, de reconstrução, mas também de esperança. Infelizmente, naquele mesmo ano em que a Vargem voltava a respirar, meu pai se foi. Não viu a vitória no Torneio do Paruru, mas eu sei que estava lá, em cada lance, em cada gol, em cada coração que vibrava. Quando levantamos o troféu, dediquei a conquista a ele. Porque meu pai não foi apenas jogador, nem apenas torcedor.Ele foi a própria alma da Vargem. E assim vai ser para sempre.Um eterno torcedor da Vargem. Palavras ditas por seu filho, Edson Vieira Branco --- Assim, o Campeonato Municipal de Ibiúna 2025 leva o nome de Sr. Adauto Vieira Branco, eternizando sua história no futebol ibiunense.
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