O Governo do Estado do Paraná deu início a uma fase crucial para transformar uma rede de trilhas ancestrais em um dos maiores produtos turísticos sustentáveis do Brasil. Através da Secretaria do Turismo (Setu) e da Secretaria do Planejamento (SEPL), as equipes técnicas começaram o trabalho de campo para consolidar a Rota Turística Caminhos do Peabiru, com previsão de conclusão do planejamento para 2026.

A iniciativa, executada em parceria com o Paraná Projetos e com a contratação da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico da Universidade Estadual de Maringá (Fadec), tem como meta transformar 4.600 quilômetros de rotas em um produto turístico estruturado, tecnológico e que respeite o patrimônio histórico e ambiental. O projeto está sendo desenvolvido com um orçamento significativo e envolve 97 municípios paranaenses.

A tecnologia a serviço do turismo sustentável

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As equipes iniciaram visitas técnicas para realizar o georreferenciamento detalhado e a captura de imagens aéreas (ortofotos) em um trecho inicial de 2.000 km. Esses dados serão a base para o futuro site e o aplicativo oficial da Rota, ferramentas essenciais para a navegação e segurança dos visitantes. "O aplicativo contemplará a rota completa, oferecendo ao usuário uma visão integral do trajeto que conecta o estado de Leste a Oeste", explica Luciane Rosas, coordenadora da equipe de consultoria da Fadec.

Durante as visitas, os técnicos avaliam não apenas o traçado, mas também as necessidades de infraestrutura, identificando pontos críticos que necessitem de intervenção, como pontes, obras de arte, trechos de erosão ou deslizamento. O projeto adota o conceito de "Rota" por sua diversidade: "O percurso integra trechos onde é possível passar por meios não motorizados como caminhada, bicicleta, cavalo, caiaque e canoa, classificado assim como uma trilha, além de trechos de conexão que podem passar por rodovias ou áreas urbanas", detalha Rosas.

Consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas

Um dos pilares do projeto é o diálogo com as comunidades tradicionais. Em Turvo, foram realizadas as primeiras Consultas Livres, Prévias e Informadas (CLPI) com as comunidades indígenas Guarani e Kaingang da Terra Indígena Marrecas, seguindo a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ambas as comunidades demonstraram interesse em integrar o traçado.

"A relação entre as duas comunidades é de respeito", explica a servidora da Setu Alexane Salles, que atua no programa. "Embora tenham costumes e idiomas diferentes, cada uma ocupa sua porção do território. Para abranger toda a população residente, optamos por fazer a consulta para o desenvolvimento de um plano de visitação voltado à realidade de cada comunidade e, assim, não deixar nenhuma de fora". A próxima etapa é reunir toda a comunidade para uma consulta coletiva, já que a decisão final não cabe apenas à liderança.

Resgate histórico e desenvolvimento regional

Os Caminhos do Peabiru formam uma rede de trilhas ancestrais de mais de 3 mil anos que conectam o Atlântico ao Pacífico. O nome tem origem no tupi-guarani "Peya Beyu", que significa "caminho gramado amassado", refletindo a antiga utilização das trilhas por povos indígenas que moldaram a paisagem ao longo do tempo.

O secretário estadual do Turismo, Leonaldo Paranhos, destaca que o projeto vai muito além do turismo de aventura: "Os Caminhos do Peabiru têm um valor histórico, cultural e simbólico imenso. Ao estruturar essa rota turística de forma responsável, o Governo do Estado promove o turismo sustentável, valoriza os povos originários, preserva o patrimônio ambiental e cria novas oportunidades de desenvolvimento para os municípios envolvidos, sempre com respeito à história e às comunidades que fazem parte desse território".

Já o secretário do Planejamento, Ulisses Maia, reforça o compromisso com o desenvolvimento histórico e cultural: "A Rota Turística Caminhos do Peabiru é um importante programa que busca realizar o resgate desse caminho milenar que atravessa o Paraná de leste a oeste. Esse encontro em Turvo é uma forma de apoiarmos o município e os povos indígenas da região, valorizando a história e cultura local e fortalecendo o desenvolvimento municipal".

Próximos passos e entregas técnicas

A consultoria da Fadec realizará entregas técnicas mensais de planejamento, incluindo pesquisa científica detalhada nas áreas antropológica, sociológica, histórica e geográfica. Serão produzidos planos e documentos estratégicos, como o Data Book e o Plano Executivo de Sinalização, adaptados especificamente para cada território turístico que a Rota atravessa.

Como a rota passa por 97 municípios com características diferentes, o foco é respeitar a vocação local, orientando as Instâncias de Governança e garantindo que o planejamento esteja alinhado com a realidade e as aptidões turísticas de cada área. As comunidades indígenas de Turvo foram as primeiras selecionadas para receber o plano funcional de visitação à aldeia indígena, que deverá ser protocolado na Funai pela Setu.