O Circuito Mais Mulher se tornou mais do que uma competição esportiva para Camila Otávio. Foi nesse evento, na sexta e última etapa de 2024 em Araçatuba, que ela completou os primeiros 5 quilômetros de corrida da sua vida. Em 2025, a corredora voltou a pisar no asfalto, mais uma vez na etapa derradeira do circuito, na mesma cidade que marcou sua estreia.

O universo das corridas de rua ainda é recente na vida de Camila, que começou a praticar a modalidade há pouco mais de um ano. "Eu já jogava vôlei, mas queria algo mais desafiador, aí comecei a correr. Me apaixonei por esse esporte e não parei mais", revela a atleta, que encontrou na corrida uma plataforma para superar os desafios impostos por sua condição física.

Camila não tem parte do braço esquerdo, resultado de um atropelamento sofrido aos 12 anos de idade enquanto andava de bicicleta. Mas nas pistas de corrida, essa realidade assume outra dimensão. "Quando corro, minha deficiência é só um detalhe. Meus colegas me acolhem e fazem com que eu pareça 'normal', como se não tivesse deficiência. A corrida é uma terapia pra mim. Com ela, aprendi a ser mais resiliente, a superar os meus limites e ter mais autoconfiança", conta emocionada.

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A etapa de Araçatuba do Circuito Mais Mulher representou a 14ª prova de rua da carreira ainda incipiente de Camila. A corredora já mira novos objetivos: espera chegar ao fim de 2026 com mais uma medalha do circuito mais feminino do estado de São Paulo no peito. "O Circuito Mais Mulher é um evento lindo e acessível. Me diverti e aproveitei o evento ao máximo. Se a prova voltar pra Araçatuba em 2026 eu vou com certeza", destaca.

Os planos não param por aí. Camila pretende estrear em uma corrida de orientação em breve. "Tenho muita vontade de correr em trilha com vários jogos durante o percurso. Quero vencer mais esse desafio", afirma, demonstrando que o espírito de superação que encontrou nas corridas de rua continua a impulsionar seus objetivos esportivos.

O Circuito Mais Mulher encerrou sua temporada 2025 no último domingo (7), em Araçatuba, reunindo mais de 26 mil mulheres que coloriram de rosa as ruas do estado de São Paulo. Organizado pela Secretaria de Esportes do Estado de SP, o evento passou este ano por oito cidades: Praia Grande, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Bauru, capital paulista, São Sebastião e Araçatuba.

Além do cunho esportivo, o circuito reforça conceitos importantes que influenciam diretamente o cotidiano do público feminino, como motivação, foco, superação de limites, integração e autovalorização. Em 2025, o projeto endossou a campanha São Paulo por Todas, do Governo do Estado de São Paulo, que destaca iniciativas nos âmbitos social, econômico e de segurança das mulheres, criando novas medidas como o Abrigo Amigo e o Protocolo Não Se Cale.

Para Camila Otávio e milhares de outras mulheres, o circuito representa mais do que números e medalhas. É um espaço de inclusão, superação e descoberta pessoal - onde deficiências se transformam em detalhes e onde cada passada na pista significa um passo rumo à autoconfiança e realização pessoal.