A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná emitiu um alerta importante para os paranaenses que convivem com o diabetes: o período de calor intenso exige cuidados especiais. As altas temperaturas típicas do verão no estado, combinadas com mudanças na rotina e na alimentação durante as férias, podem desequilibrar os níveis de glicose no sangue, aumentando os riscos tanto de hipoglicemia quanto de hiperglicemia.
O calor excessivo altera a resposta do organismo ao tratamento. Para pacientes insulinodependentes, a vasodilatação provocada pelas altas temperaturas pode acelerar a absorção da insulina. Já para quem utiliza antidiabéticos orais (comprimidos), o calor extremo e a desidratação podem modificar a forma como o corpo processa tanto o medicamento quanto a glicose, prejudicando o controle metabólico e elevando a concentração de açúcar no sangue.
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, enfatiza a necessidade de monitoramento mais frequente durante esta época. "O paciente com diabetes precisa estar atento aos sinais do corpo, pois os sintomas do calor podem se confundir com os de uma crise glicêmica. A orientação é de que o usuário não descuide do monitoramento e, principalmente, da conservação da sua medicação. Nossa rede de saúde está preparada para o atendimento, mas a prevenção individual é o que garante um verão tranquilo e seguro para todos", afirmou o secretário.
Armazenamento correto é fundamental
Um dos pontos críticos no verão é o armazenamento adequado dos medicamentos. A insulina é termossensível e perde eficácia quando exposta a temperaturas elevadas. Da mesma forma, os medicamentos via oral devem ser mantidos em locais frescos e arejados. Esquecer a medicação dentro de carros quentes ou exposta ao sol direto pode degradar os princípios ativos dos comprimidos.
Durante viagens, a insulina deve ser transportada em bolsas térmicas, sem contato direto com o gelo. Para os comprimidos, a orientação é mantê-los em suas embalagens originais, longe da umidade e do calor excessivo.
Cuidados com os pés e hidratação
A atenção também deve ser estendida ao cuidado com os pés. É importante evitar caminhadas descalças na areia ou em superfícies quentes, prevenindo queimaduras e ferimentos que podem não ser percebidos de imediato por pacientes com sensibilidade reduzida.
A hidratação deve ser constante, preferencialmente com água, evitando bebidas açucaradas e o consumo excessivo de álcool, que pode causar hipoglicemia severa horas após a ingestão. A Sesa recomenda ainda que os veranistas mantenham o fracionamento das refeições mesmo fora de casa, priorizando alimentos leves como frutas e verduras para auxiliar no controle glicêmico.
Atendimento no sistema público
No Paraná, a Sesa segue rigorosamente a Linha Guia de Diabetes Mellitus e os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas nacionais para oferecer cuidado às pessoas com diabetes dos tipos 1 e 2. Nas Unidades Básicas de Saúde, o cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS) inclui a prevenção das complicações. Nelas, o usuário tem seu risco avaliado e o cuidado pode ser compartilhado com a atenção especializada conforme a necessidade de cada caso.
"O diabetes exige uma vigilância constante e o tratamento é oferecido de forma gratuita na saúde pública, incluindo o fornecimento de medicamentos e encaminhamentos para especialistas. Prevenir e seguir as orientações da equipe de saúde corretamente, especialmente em períodos de mudança de rotina como o verão, é essencial para garantir a qualidade de vida e evitar complicações severas", destacou a secretaria.
Entendendo o diabetes
O Diabetes Mellitus (DM) é causado pela produção insuficiente ou resistência à ação da insulina, hormônio responsável por metabolizar a glicose e transformá-la em energia para a manutenção do funcionamento do corpo. Essa alteração provoca altas taxas de açúcar no sangue de forma permanente, o que pode levar a complicações graves no coração, artérias, olhos, rins e nervos. Por ser uma doença crônica que não tem cura, o tratamento adequado e preventivo é a única forma de evitar o agravamento de quadros que podem levar à cegueira, amputação de membros e morte.

