O verão paranaense não traz apenas dias ensolarados e altas temperaturas, mas também um impacto direto no bolso dos consumidores. Dados da Companhia Paranaense de Energia (Copel) revelam que, entre 2022 e 2025, o consumo residencial de energia elétrica no estado aumentou em média 15% nos meses mais quentes, de outubro a março, em comparação com o período de abril a setembro. A variação, porém, não é uniforme: enquanto algumas regiões apresentam saltos expressivos, outras mantêm um crescimento mais moderado.
As regiões mais quentes do Paraná lideram o aumento no consumo. No Oeste, o consumo residencial médio subiu 27% nos meses de verão; no Noroeste, a alta foi de 24%; e no Norte, de 16%. Já nas regiões Leste e Centro-Sul, o impacto das temperaturas elevadas resultou em variações médias positivas de 5% e 6%, respectivamente. Os números destacam como o clima regional influencia diretamente a demanda por energia, especialmente com o uso intensivo de equipamentos para amenizar o calor.
"No calor, aparelhos de ar-condicionado precisam de mais tempo para resfriar o ambiente, geladeiras acionam o compressor com maior frequência para compensar as temperaturas do exterior e os ventiladores costumam ser ligados por longos períodos. Por isso, é importante ter atenção para evitar desperdícios de energia", alerta o gerente executivo de Inovação na Copel, Rafael Eichelberger. Segundo ele, pequenas atitudes podem fazer grande diferença na conta de luz e no uso eficiente dos recursos.
Quando o assunto é o ar-condicionado, Eichelberger destaca dicas básicas que muitos consumidores negligenciam. "Fazer a manutenção regular dos aparelhos, dimensionar o equipamento ao tamanho do ambiente e deixar portas e janelas fechadas durante o uso são medidas essenciais", explica. Outro ponto relevante é a escolha de modelos que tenham o selo Procel de eficiência energética, indicativo de que o produto consome menos energia para oferecer o mesmo desempenho.
A geladeira, eletrodoméstico presente em praticamente todos os lares, também merece atenção redobrada durante os períodos de calor intenso. "É importante verificar se as borrachas de vedação estão em boas condições, porque quando há entrada de ar a refrigeração é prejudicada e os compressores mais exigidos, aumentando o gasto de energia pelo equipamento", orienta o gerente da Copel. Para testar a vedação, ele sugere um método simples: fechar a porta prendendo uma folha de papel e tentar puxá-la. Se sair facilmente, é sinal de que as borrachas precisam ser substituídas.
Além do teste da folha de papel, Eichelberger recomenda instalar a geladeira afastada de fontes de calor e ao abrigo do sol, não colocar roupas para secar na parte de trás do equipamento, evitar colocar comidas quentes para refrigerar e fazer o degelo regularmente nos modelos que exigem essa prática. "Evitar o abre-fecha contínuo das portas também é fundamental", complementa. Essas ações, aparentemente simples, contribuem para reduzir a sobrecarga do compressor e, consequentemente, o consumo de energia.
Outras medidas podem ser aliadas no controle de gastos durante o verão. Reduzir a temperatura utilizada no chuveiro elétrico e aproveitar a luz natural pelo maior tempo possível são exemplos de hábitos que, somados, impactam positivamente a conta de luz. "O consumo consciente de energia é um passo importante para quem busca ter maior controle sobre a conta de luz, e se torna uma atitude benéfica para toda a sociedade", reforça Rafael Eichelberger. Com a tendência de verões cada vez mais quentes, a adoção de práticas eficientes se torna não apenas uma questão econômica, mas também ambiental.

