Em uma cerimônia que reuniu mais de 300 pessoas no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, as cafeicultoras Flávia Guimarães da Silva Rosa, de Apucarana, e Sirlene Soares dos Santos Souza, de Pinhalão, foram consagradas as grandes campeãs do 23º Concurso Café Qualidade Paraná. O evento, realizado nesta terça-feira (25), coroou o trabalho de produtores que se dedicam à excelência do café paranaense, destacando-se como a terceira maior premiação do gênero no Brasil, atrás apenas de concursos em Minas Gerais e Espírito Santo.

Flávia Guimarães venceu na categoria natural, enquanto Sirlene Soares levou o primeiro lugar com um lote de cereja descascado. A competição, que analisou mais de 100 amostras de produtores paranaenses, contou com a presença de cafeicultores, lideranças do setor, pesquisadores e autoridades, reforçando a importância estratégica da cafeicultura para a economia do estado.

O vice-governador Darci Piana enalteceu o legado histórico do Paraná na produção de café e a atual busca pela qualidade. "Essa premiação se reveste de uma importância especial. O Paraná foi o maior produtor de café desse País. Hoje somos o sexto, mas continuamos produzindo um café de qualidade, e aqui hoje estão os melhores produtores do Estado", afirmou durante a cerimônia, ressaltando a representatividade dos agricultores presentes.

Publicidade
Publicidade

Promovido pela Câmara Setorial do Café do Paraná, formada pelo Sistema Faep, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, o concurso reflete a evolução do setor. O secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes, destacou que o foco é melhorar a renda do produtor rural através da diversificação e verticalização da produção. "Se nós reduzimos muito em quantidade em função de clima, geada, e competitividade com outras culturas, o produtor achou um caminho através da qualidade do café para poder colocar um valor agregado maior nesse produto", explicou.

Nunes ainda enfatizou o cuidado dos produtores paranaenses, que inclui grãos selecionados, cultivo em condições específicas, colheita no ponto ideal e processos rigorosos de torra e classificação. "O governo tem diversificado a produção de alimentos do Paraná. No caso do café, o caminho é a qualidade. A gente vende um produto com alta rentabilidade e sustentabilidade, para diversas regiões do Brasil e para muitos países", concluiu.

O julgamento do concurso envolveu 130 lotes de nove regiões produtoras do Paraná, com 96 na categoria natural (processamento via seca) e 34 no método cereja descascado (via úmida). Após a análise física dos grãos, que verificou tamanho, cor e defeitos, 108 lotes avançaram para a avaliação sensorial, conduzida por 10 extensionistas do IDR-Paraná com formação de Q-Grader em café arábica. A seleção seguiu critérios da Classificação Oficial Brasileira (COB) e da Associação de Cafés Especiais (SCA), considerando atributos como aroma, doçura, acidez, corpo e sabor.

Uma novidade desta edição foi a sessão de cupping (degustação) entre produtores e cafeterias, visando gerar negócios e aproximar a produção do mercado. Os lotes classificados até o quinto lugar em cada categoria receberam prêmios equivalentes ao valor de uma saca na B3 (Bolsa de Valores do Brasil) do dia anterior ao evento, acrescido de pelo menos 50%. Os campeões regionais também foram premiados com R$ 4 mil, custeados pelo Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo), enquanto o Sistema Faep patrocinou a vinda dos cafeicultores para Curitiba.

O presidente interino da Faep, Ágide Eduardo Meneguette, reforçou a transformação do setor no Paraná. "No passado, era uma das maiores cadeias, uma grande cadeia produtora, nós éramos reconhecidos por isso. Hoje, nós somos reconhecidos pela qualidade do nosso café. Nossos cafeicultores estão, cada vez mais, investindo em cafés melhores, grãos melhores, graças ao macroambiente e ao clima que nós temos aqui no Estado. Mostrando que o Paraná tem bons cafés, não só para os paranaenses tomarem, mas para o Brasil inteiro", destacou.

Atualmente, a cafeicultura ocupa 25,4 mil hectares no Paraná, com produção anual estimada em 749 mil sacas beneficiadas e Valor Bruto de Produção de R$ 1,1 bilhão. A atividade está presente em 180 municípios, onde 80% das propriedades são de agricultores familiares. Nos últimos anos, o estado tem se tornado referência nacional em cafés especiais, com investimentos em manejo que garantem frutos sem defeitos e maior complexidade sensorial.

Um fator crucial para a qualidade do café paranaense é o terroir, conjunto de características naturais que influenciam o cultivo. As plantações no Paraná estão localizadas próximas ao Trópico de Capricórnio, onde noites frias e dias quentes resultam em maturação mais lenta, acumulando mais açúcar e conferindo sabores únicos no Brasil.

Além dos patrocinadores principais, o concurso contou com o apoio do Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), Grupo Bratac Seda, Integrada Cooperativa Agroindustrial, Sociedade Rural do Paraná, Grupo Dois Irmãos, Fetaep (Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná), Ceal (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR) e Ceasa (Centrais de Abastecimento do Paraná).

Os vencedores do concurso reforçam a diversidade e a excelência da cafeicultura paranaense. Na categoria café natural, além de Flávia Guimarães em primeiro, destacaram-se Carlos Alexandre Siqueira (São Jerônimo da Serra), Henrique Alfredo de Freitas Sebode (Tomazina), Rosineia Barbosa Serpeloni (Londrina) e Valdeci Navarro (Jandaia do Sul). No cereja descascado, Sirlene Soares foi seguida por Flavia Garcia Mureb Jacob Saldanha Rodrigues (Jacarezinho), Eloir Inocencia Nogueira de Souza (Tomazina), Julio Cezar Barros (São Jerônimo da Serra) e Giovana da Silva Souza (Pinhalão). Os campeões regionais incluem Natalina Bovo Bretan (Ivaiporã), Fernando Lopes (Maringá), José Aparecido Sanches (Cianorte), Celina Aparecida Campana de Oliveira (Toledo) e Aparecida de Oliveira Saboré Lopes (Cascavel).