O desaparecimento de um jovem de 20 anos por cinco dias no Parque Estadual Pico Paraná, entre 1 e 5 de janeiro, trouxe à tona uma discussão crucial sobre segurança em unidades de conservação. O episódio, que terminou com o resgate do visitante, evidenciou a importância fundamental do cadastro obrigatório de visitantes, sistema implementado pelo Instituto Água e Terra (IAT) em todos os parques estaduais do Paraná.

O que aconteceu no Pico Paraná

O jovem e seus companheiros de trilha acessaram o parque por uma entrada secundária quando o local já estava fechado, sem realizar o cadastro obrigatório. Essa falha no procedimento padrão dificultou as ações iniciais de busca, já que as equipes do IAT não tinham registro da presença do grupo na unidade de conservação. O Parque Estadual Pico Paraná está localizado nos municípios de Campina Grande do Sul e Antonina, na região metropolitana de Curitiba.

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Como funciona o cadastro obrigatório

O sistema exige que os visitantes se dirijam presencialmente às bases do IAT localizadas nas entradas dos parques. Lá, devem fornecer aos funcionários do órgão ambiental uma série de informações, incluindo dados pessoais, telefone de contato, contatos de emergência e horário de início do passeio. Na saída, precisam retornar à base para "fechar" a ficha, concluindo assim o processo.

"O cadastro deve ser feito tanto na entrada quanto na saída dos parques para garantir a segurança dos visitantes, já que é com ele que conseguimos saber quando as pessoas entraram no parque. Além disso, a partir da baixa do cadastro na saída, e do tempo médio de conclusão das trilhas que conhecemos, podemos saber se a pessoa já saiu da UC ou se é necessário acionar algum órgão de resgate", explica o gerente de Áreas Protegidas da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, Jean Alex dos Santos.

Importância em unidades de conservação montanhosas

O cadastro ganha dimensão ainda mais crítica em unidades de conservação montanhosas como o Pico Paraná. Nesses parques, devido ao risco maior presente na região, os visitantes recebem orientações específicas no momento do registro por meio de um termo de ciência de risco.

No Parque Estadual Pico Paraná, por exemplo, os usuários precisam fornecer informações como contato de emergência, dados relacionados à saúde e preparo físico, se têm experiência em ambientes montanhosos, além da indicação de equipamentos de segurança, como lanternas, apitos e pilhas.

Os funcionários do IAT fornecem também todas as instruções necessárias para entrar no parque, como estar com vestimentas adequadas, água e alimentação suficientes, e recomendações sobre não entrar sozinho na UC – o indicado é um grupo de no mínimo três pessoas. Para quem não possui experiência ou não conhece o parque, também é recomendada a contratação de guias ou condutores especializados, ou a realização das trilhas junto de alguém que conheça o local e já tenha feito o trecho anteriormente.

"Quando os visitantes são informados dos riscos logo na entrada, eles fazem a trilha com uma atenção redobrada, algo que diminui a chance de incidentes", destaca o gerente Jean Alex dos Santos.

Consequências do não cumprimento

O não cumprimento da medida pode dificultar ações de resposta em casos de emergência, além de acarretar punições aos visitantes que desrespeitam as regras. Seguindo os critérios do decreto federal 6.514/2008, adotar condutas em desacordo com os regulamentos e orientações da UC pode resultar em multas que vão de R$ 500 a R$ 10 mil.

Trajeto secundário proibido

O IAT reforça ainda que a área percorrida pelo jovem para chegar em Antonina e se salvar tem acesso proibido. O trajeto não faz parte da área de uso público do parque, conforme Plano Emergencial de Uso Público publicado em agosto de 2025.

"Esse trajeto é extremamente perigoso devido ao terreno íngreme, possibilidade de cabeças d'água, mata fechada e difícil comunicação, colocando em risco o visitante, voluntários e equipes de resgate caso seja necessário realizar buscas e atendimento na área", explica a chefe do Parque Estadual Pico Paraná, Marina Rampim. "Estamos trabalhando para melhorar a sinalização do parque e restringir acessos secundários não permitidos".

Benefícios além da segurança

Além dos benefícios na segurança, o processo de cadastro ajuda na administração dos espaços. "Com o cadastro, podemos mensurar a quantidade de visitantes nos parques e assim direcionar aportes de recurso mais precisos para as UCs. Assim, conseguimos aprimorar os espaços para proporcionar a melhor experiência possível para a população", destaca o gerente do IAT.

O episódio no Pico Paraná serve como alerta para todos os frequentadores de unidades de conservação no Paraná: seguir as regras estabelecidas não é apenas uma formalidade burocrática, mas uma medida essencial para garantir a segurança pessoal e permitir respostas rápidas em situações de emergência.