O Instituto Butantan deu início à distribuição da vacina contra a gripe para a campanha nacional de 2026 com a entrega de 6,9 milhões de doses ao Ministério da Saúde na semana passada. A expectativa é que outras 63 milhões de unidades sejam enviadas até maio, totalizando quase 70 milhões de doses para proteger a população brasileira contra os vírus influenza.
A Campanha Nacional de Imunização contra a Gripe deve começar no final de março, seguindo o calendário tradicional do país. O público-alvo inclui crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos a partir de 60 anos, gestantes, puérperas, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas, povos indígenas, professores e outros grupos considerados de risco.
Como acontece todos os anos, o imunizante foi atualizado conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica as cepas que mais circularam no período anterior. Para 2026, a composição do hemisfério Sul inclui os vírus A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09; A/Singapura/GP20238/2024 (H3N2); e B/Áustria/1359417/2021 (linhagem B/Victoria).
Nesta temporada, houve uma mudança significativa: duas das três cepas foram substituídas em relação ao ano anterior. Essa alteração impactou diretamente o cronograma de produção e entrega, que se estenderá até o final de maio. "A atualização de duas das três cepas é incomum no histórico de recomendações e aumentou a complexidade do processo produtivo. Além disso, as duas novas cepas tiveram menor rendimento, o que também afetou a velocidade da produção", explica Felipe Carvilhe, gerente da Franquia Influenza do Butantan.
O processo de fabricação da vacina da gripe começa em setembro do ano anterior à campanha. Cada componente (monovalente) é produzido separadamente, e os vírus podem apresentar características de replicação distintas. "Existem vírus que se replicam mais rápido, outros são mais lentos. Cada monovalente leva cerca de um mês para ser produzido, até alcançar quantidades suficientes para as 80 milhões de doses", completa Felipe.
Os vírus influenza podem causar desde infecções assintomáticas até doenças graves que exigem hospitalização, especialmente em crianças pequenas e idosos. Os sintomas incluem febre alta, dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, tosse e fadiga.
Em 2025, o Brasil registrou 224.721 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo dados do Boletim Infogripe da Fiocruz. Desse total, 117.541 tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, sendo o influenza um dos mais prevalentes. A gripe também foi responsável por quase metade dos óbitos por SRAG causados por vírus respiratórios, destacando a importância da vacinação.
Uma novidade importante é que, desde o início de 2025, a vacina contra a gripe foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais. Isso significa que esses grupos podem receber o imunizante nos postos de saúde ao longo de todo o ano, e não apenas durante o período da campanha sazonal.
Os demais públicos prioritários continuam sendo vacinados durante a campanha tradicional, que ocorre entre março e maio, meses que antecedem o período de maior circulação do vírus no país.
Vale destacar que a região Norte do Brasil segue um calendário diferenciado. Desde 2024, os estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá e Tocantins recebem a vacina da gripe com a composição do hemisfério Norte – que, neste ano, contém cepas diferentes em relação ao hemisfério Sul, conforme diretrizes da OMS. A campanha de vacinação para a região Norte acontece no final do ano, considerando as particularidades do início do inverno amazônico.

