O Banco de Brasília (BRB) entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (2) para garantir a reserva de recursos destinados a cobrir os prejuízos decorrentes das fraudes envolvendo operações com o Banco Master. Em comunicado oficial ao mercado financeiro, a instituição pública do Distrito Federal solicitou que os acordos de delação premiada em discussão com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) levem em conta prioritariamente o ressarcimento das partes lesadas.

A medida judicial tem como objetivo específico a eventual reserva, segregação e vinculação de bens, valores, ativos, créditos e fluxos financeiros que venham a ser identificados, recuperados, bloqueados, repatriados ou ofertados no contexto das investigações em curso, conforme explicou o BRB em nota. O banco enfatizou que a ação busca proteger os interesses dos prejudicados pelas irregularidades.

As fraudes são investigadas pela Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição pelo BRB. Até o momento, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e seu cunhado Fabiano Zettel negociam acordos de delação premiada. Ambos encontram-se presos preventivamente, com o STF mantendo maioria favorável à prisão de Vorcaro.

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O caso ganha contornos ainda mais complexos com o recente pedido do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o BRB. A medida reflete a gravidade dos prejuízos financeiros enfrentados pelo banco público, que também confirmou que não divulgará seu balanço de 2025 dentro do prazo regulamentar.

Enquanto as negociações das delações avançam - com a defesa de Vorcaro reunindo-se recentemente com o ministro do STF André Mendonça -, o BRB busca assegurar judicialmente que quaisquer recursos recuperados sejam direcionados primeiramente ao ressarcimento dos danos causados. A estratégia visa minimizar o impacto financeiro da operação fraudulenta tanto para a instituição quanto para seus clientes e o erário público.