O governo brasileiro decidiu ampliar o efetivo da Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com a Venezuela, em resposta à instabilidade política no país vizinho e às possíveis consequências da ação militar realizada pelos Estados Unidos no último sábado (3). A operação norte-americana tinha como objetivo depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro, aumentando as tensões na região.
Uma portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (8), autoriza o emprego de agentes da tropa federativa na capital de Roraima, Boa Vista, e em Pacaraima (RR). Esta última é uma cidade fronteiriça e a principal porta de entrada para o território brasileiro utilizada por venezuelanos que deixam seu país em busca de refúgio ou melhores condições de vida.
Assinada pelo ministro Ricardo Lewandowski, a Portaria MJSP nº 1.127 estabelece que os agentes atuarão nos dois municípios de Roraima pelos próximos 90 dias. O prazo, no entanto, poderá ser estendido se necessário, conforme avaliação das autoridades. Durante este período, a tropa vai apoiar os órgãos de segurança pública estaduais "nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública" e à garantia da integridade da população.
A medida reflete a preocupação do Brasil com o agravamento da crise venezuelana, que já levou milhares de pessoas a cruzarem a fronteira em busca de abrigo. Notícias relacionadas destacam que venezuelanos que vivem no Brasil veem com tristeza a crise em seu país, enquanto o Ministério da Saúde anunciou que vai monitorar o cenário sanitário na região fronteiriça, prevenindo possíveis surtos de doenças.
A Força Nacional de Segurança Pública é formada por agentes federais e policiais militares e civis, incluindo bombeiros e peritos, cedidos por estados e pelo Distrito Federal. Subordinada à Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, essa tropa pode ser empregada em qualquer parte do território nacional, a pedido dos governadores ou de ministérios que precisem de apoio para executar suas ações.
Embora o Ministério não tenha informado o total de agentes da Força Nacional empregados em Roraima, a decisão de enviar reforços sinaliza um esforço do governo brasileiro para manter a estabilidade na região, assegurando que a ordem pública seja preservada diante de um cenário internacional volátil. A ação visa também proteger tanto os brasileiros que residem na fronteira quanto os venezuelanos que buscam acolhimento no país, em um momento de incertezas geopolíticas.

