O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participa neste domingo (4) de uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), convocada para discutir a grave situação na Venezuela. O encontro, que ocorre por meio de videoconferência no início da tarde, acontece após um ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.

A Celac é um mecanismo intergovernamental de diálogo e acordo político que reúne permanentemente 32 países da América Latina e do Caribe. Funciona como um fórum regional que aspira ser uma voz singular e estruturada na tomada de decisões políticas e na cooperação em apoio aos programas de integração regional. A participação do Brasil neste fórum ganha especial relevância diante dos acontecimentos recentes.

No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Durante o ataque militar, forças de elite norte-americanas capturaram Maduro e Flores, levando-os para Nova York. Este episódio marca uma nova intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina, sendo a primeira desde 1989, quando invadiram o Panamá para sequestrar o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.

Publicidade
Publicidade

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas concretas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel. O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, o que culminou na ação militar.

Para críticos, a ação norte-americana é uma medida geopolítica com múltiplos objetivos: afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, e exercer maior controle sobre o petróleo do país, que possui as maiores reservas de óleo comprovadas do planeta. A situação coloca em xeque a soberania venezuelana e reacende debates sobre intervencionismo na região.

Em comunicado recente, o Brasil e mais cinco países já haviam condenado o ataque à Venezuela, demonstrando preocupação com a escalada de tensões. Paralelamente, o papa Francisco defendeu o bem-estar do povo venezuelano e a soberania do país, em um apelo por soluções pacíficas. A reunião da Celac deste domingo busca justamente coordenar uma resposta regional diante dessa crise complexa, que envolve questões de direito internacional, soberania e estabilidade geopolítica.