Os governos do Brasil, do México e da Colômbia publicaram, nesta sexta-feira (13), uma nota conjunta pedindo um cessar-fogo imediato no Oriente Médio e que os países envolvidos na guerra resolvam as divergências por meio da diplomacia. O comunicado representa um posicionamento coordenado de três importantes nações latino-americanas diante do conflito que tem se intensificado na região.
"Consideramos indispensável que, no atual conflito no Oriente Médio, seja declarado um cessar-fogo imediato, a fim de abrir espaços efetivos para o diálogo e a negociação", diz o texto oficial. Os governos latino-americanos "reiteram a necessidade de que as divergências entre Estados sejam resolvidas por meio da diplomacia internacional, em consonância com os princípios da solução pacífica das controvérsias".
Por fim, os países manifestam estarem dispostos a contribuírem para os processos de paz que gerem confiança, "a fim de avançar rumo a uma solução política e negociada do conflito". A iniciativa ocorre em um momento de crescente tensão internacional, com repercussões globais que incluem o aumento dos preços do petróleo e deslocamentos populacionais.
Nesta semana, ao anunciar medidas para aliviar a alta do petróleo provocada pela guerra no preço do diesel no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de "irresponsabilidade" as guerras que ocorrem no mundo. A declaração do mandatário brasileiro antecipava o tom que seria adotado na nota conjunta com os países vizinhos.
O posicionamento dos três governos ocorre em meio a um cenário complexo no Oriente Médio. Pela segunda vez em oito meses, Israel e EUA lançaram uma agressão contra o Irã durante as negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa. As hostilidades têm raízes históricas profundas, remontando a 1979, quando a Revolução Islâmica derrubou a monarquia iraniana aliada de Washington.
Desde então, o Irã enfrenta sanções econômicas que buscam fragilizar sua economia. Ainda no primeiro governo de Donald Trump, os EUA abandonaram o acordo firmado em 2015, sob o governo de Barack Obama, para inspeção internacional do programa nuclear iraniano. Israel e EUA acusam Teerã de buscar o desenvolvimento de armas nucleares, enquanto os iranianos defendem que o programa é para fins pacíficos.
Um dia antes da agressão contra o Irã, o chanceler de Omã, Badr bin Hamad Albusaidi, mediador nas negociações, informou que as partes estariam muito próximas de um acordo, e que o Irã teria concordado em não manter urânio enriquecido em altos níveis. Israel, por sua vez, mesmo acusado de ter bombas atômicas, nunca permitiu qualquer inspeção internacional em seu programa nuclear.
O conflito tem gerado repercussões humanitárias graves. Segundo o Itamaraty, mais de 4 mil brasileiros já retornaram de Dubai e Doha, evidenciando o impacto direto na comunidade brasileira no exterior. Enquanto isso, sob bombas, multidões vão às ruas no Irã em apoio aos palestinos, demonstrando como as tensões regionais se entrelaçam com questões mais amplas.
A nota conjunta do Brasil, México e Colômbia representa uma tentativa de inserção diplomática da América Latina em um conflito de proporções globais, reafirmando o compromisso com a paz e a solução negociada de controvérsias internacionais.

