O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sergio Danese, fez duras críticas à ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela durante reunião do Conselho de Segurança nesta terça-feira (24). Em discurso contundente, o representante brasileiro classificou as ações norte-americanas como "violações da Carta das Nações Unidas e, portanto, devem cessar imediata e incondicionalmente em favor da utilização dos instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis".
Danese deixou claro que o Brasil "convida ambos os países a um diálogo genuíno, conduzido de boa-fé e sem coerção". O embaixador reforçou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou ter intenção de intermediar um acordo entre EUA e Venezuela e que apoia qualquer esforço do secretário-geral da ONU nesta direção.
O posicionamento brasileiro ocorre em um momento de crescente tensão na região. Os Estados Unidos, através de ordens do presidente Donald Trump, promovem um cerco militar à Venezuela com a intenção declarada de tirar Nicolás Maduro do poder, a quem acusam de chefiar um cartel narco-terrorista. Trump vem há semanas ameaçando invadir o território venezuelano.
Para o embaixador brasileiro, evitar uma guerra no continente não é um interesse apenas dos países da América Latina. "Toda a comunidade internacional tem de se preocupar já que em última instância, um conflito na região poderia ter repercussões em escala global", alertou Danese durante sua intervenção no Conselho de Segurança.
Danese também destacou que a América do Sul é e quer continuar sendo uma região de paz, "respeitando o direito internacional e com boas relações entre vizinhos". A declaração reforça a posição histórica do Brasil de defesa da solução pacífica de controvérsias e do multilateralismo como forma de resolver conflitos internacionais.
O pronunciamento do embaixador brasileiro na ONU ocorre em um contexto de movimentações diplomáticas relacionadas ao conflito. Recentemente, o presidente Lula afirmou que "é possível negociar sem guerra" sobre a situação entre EUA e Venezuela, enquanto o governo venezuelano aprovou lei contra bloqueios em meio às tensões com os norte-americanos.
A postura do Brasil na ONU reflete uma tentativa de mediação que busca evitar uma escalada militar na região. Enquanto isso, os Estados Unidos continuam sua pressão sobre a Venezuela, mesmo tendo adiado recentemente o anúncio de tarifas sobre chips da China até 2027, em sinal de que as tensões comerciais com Pequim também permanecem no radar da política externa norte-americana.

