O Brasil está vivendo um momento histórico no turismo internacional. De janeiro a outubro deste ano, o país recebeu 7,68 milhões de turistas estrangeiros, o maior número já registrado para os primeiros dez meses na série histórica. Esse volume representa um aumento expressivo de 42,2% em relação ao mesmo período de 2023, consolidando uma recuperação vigorosa do setor após os anos mais críticos da pandemia.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), a expectativa é que o Brasil feche todo o ano de 2024 com aproximadamente 9 milhões de turistas internacionais, superando em 11% a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo, que previa 6,9 milhões de visitantes. "A gente bateu o recorde antigo, que era 6,4 milhões em agosto. Hoje, a gente está superando em 11% a meta do Plano Nacional de Turismo", afirmou Philipe Karat, coordenador de Demanda e Transportes Multimodais da Embratur.

Os números positivos foram destacados durante o evento "Brasil em expansão: conectividade aérea e turismo como motores de projeção global", promovido pelo Fórum EFE nesta quarta-feira (12). Karat ressaltou que o mercado turístico brasileiro está "muito saudável", com investimentos sendo realizados em diversas frentes. "A perspectiva dos próximos 3, 4 anos da aviação brasileira é muito boa, na medida em que os investimentos retornem", complementou.

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Um dos exemplos concretos dessa expansão vem de Santa Catarina. O Aeroporto de Florianópolis acaba de alcançar a marca de 1 milhão de passageiros internacionais, tornando-se o terceiro aeroporto brasileiro a atingir esse patamar, após Guarulhos (SP) e Galeão (RJ). "Um aeroporto do Sul, de uma capital que não é das mais populosas, [está] batendo um recorde de turista internacional", enfatizou Karat, demonstrando como o crescimento não se limita aos grandes centros tradicionais.

Para o coordenador da Embratur, os resultados positivos são fruto de uma conjunção de fatores e do envolvimento de múltiplas instituições, e não de ações isoladas. "Não posso dizer que [o responsável é apenas] a economia da Argentina, os empresários de Santa Catarina ou o Aeroporto de Florianópolis. Eu atribuo [os bons resultados] à coordenação do todo", explicou, destacando a importância de uma estratégia integrada entre governos, empresas e comunidades.

O setor privado também tem respondido com otimismo aos sinais de crescimento. Juan Cierco, diretor da companhia aérea espanhola Iberia, anunciou que já no primeiro semestre de 2026 a empresa destinará recursos para expandir sua atuação na América Latina, com foco especial no Brasil. "Para a Iberia, o Brasil é muito mais do que um destino turístico. É um país de negócios, de intercâmbio cultural, de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento social e, claro, de turismo", afirmou durante o evento.

Alejandro Gómez Gil, diretor executivo da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, ressaltou a importância estratégica do transporte aéreo no contexto brasileiro. "Com uma infraestrutura terrestre que deixa a desejar em alguns lugares, e especialmente considerando as distâncias, voar no Brasil não é um luxo, é uma necessidade", observou. Ele acrescentou que "voos domésticos para turismo ou viagens a negócios são essenciais. Turistas estrangeiros precisam dessas conexões aéreas. Estamos falando de cerca de 7 milhões de pessoas, e a maioria chega de avião".

Além dos impactos econômicos diretos, o turismo internacional traz benefícios significativos para as populações locais, incluindo geração de renda, estímulo à preservação cultural e ambiental. Karat apontou que "o turismo é uma alternativa para evitar o desmatamento e a degradação do meio ambiente, considerando que é uma atividade que se beneficia da natureza preservada". Ele citou exemplos de localidades que, no passado, enfrentaram migração em massa para o Sul e Sudeste, mas que hoje se tornaram polos de atração turística, permitindo que as pessoas desenvolvam atividades econômicas em suas regiões de origem.

O coordenador lembrou ainda casos como o da seleção alemã que treinou na Bahia durante a Copa do Mundo, o que posteriormente atraiu investimentos de empresas e ONGs da Alemanha para a região. "O turismo promove esse intercâmbio, ele acaba beneficiando as localidades", afirmou.

Karat enfatizou que a evolução do turismo internacional começa com o fortalecimento do turismo interno. "Vemos que a magnitude do turismo doméstico deve servir como alavanca para impulsionar o turismo internacional", disse, citando destinos como Caldas Novas (GO) e Porto Seguro (BA), que são relevantes no contexto nacional. "Precisamos trabalhar com os aeroportos e companhias aéreas locais para formar alianças com companhias aéreas internacionais e trazer passageiros [estrangeiros] para esse lugar", defendeu, reforçando a necessidade de parcerias para consolidar o crescimento.

Com investimentos em conectividade aérea, coordenação entre setores e o aproveitamento do potencial do turismo doméstico, o Brasil se consolida como um destino global cada vez mais atrativo, gerando benefícios que vão além dos números e impactam positivamente a economia, a cultura e o meio ambiente.