O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (13) que o Brasil espera, para os próximos dias, a resposta dos Estados Unidos a uma proposta de "mapa do caminho" que deve orientar as negociações destinadas a solucionar pendências comerciais entre os dois países. O anúncio foi feito após reunião com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Washington, marcando um novo capítulo nos esforços para destravar as relações comerciais bilaterais.
Segundo o chanceler brasileiro, Rubio demonstrou interesse em avançar rapidamente nas tratativas, que ganharam impulso após dois encontros durante o G7, grupo dos sete países mais ricos do planeta, no Canadá. "Apresentamos nossas propostas para a solução das questões. Agora estamos esperando que eles nos respondam", disse Vieira em coletiva à imprensa, destacando o tom construtivo do diálogo.
O encontro ocorre no contexto da primeira reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 26 de outubro, quando ambos se comprometeram a realizar negociações técnicas para reverter o chamado "tarifaço" - as tarifas adicionais de 50% impostas pelo governo dos EUA a diversos produtos brasileiros. Essas medidas têm afetado setores como aço, alumínio e agrícola, gerando preocupação no empresariado nacional.
Vieira relembrou que, em 4 de novembro, Brasil e Estados Unidos realizaram uma reunião virtual de alto nível, na qual o governo brasileiro apresentou resposta detalhada à lista de temas enviada por Washington em outubro. De acordo com o ministro, Rubio sinalizou que a análise norte-americana deve ser concluída ainda esta semana ou no início da próxima, abrindo caminho para um acordo provisório que estabeleça o roteiro das negociações pelos próximos um ou dois anos.
As discussões avançaram com uma rodada ampliada de trabalho em Washington, que contou com a participação de negociadores e diplomatas de ambos os países. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington; Joel Sampaio, chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social; Ricardo Monteiro, chefe de gabinete e embaixador; Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty; e Fernando Sena, ministro-conselheiro da embaixada brasileira. Essa composição reforçada reflete a importância estratégica que o governo brasileiro atribui à resolução das disputas comerciais.
O "mapa do caminho" proposto pelo Brasil visa criar um framework para abordar não apenas as tarifas, mas também questões como barreiras não tarifárias, cooperação em tecnologia e investimentos. Especialistas em comércio exterior avaliam que um acordo bem-sucedido poderia reaquecer o fluxo bilateral, que sofreu com as tensões recentes, e fortalecer a posição do Brasil em fóruns internacionais.
Enquanto aguarda a resposta oficial dos EUA, o Itamaraty mantém cautela otimista, enfatizando que o diálogo tem sido produtivo e alinhado com os interesses nacionais. O desfecho dessas tratativas poderá definir o tom das relações econômicas entre os dois países nos próximos anos, com impactos diretos na balança comercial e na confiança dos investidores.

