O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, usou termos fortes para criticar o aumento recente do preço do óleo diesel nos postos de combustível do país. Em declaração nesta sexta-feira (20), na saída de um evento na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, ele classificou a prática como "banditismo" e afirmou que se trata de um "crime contra a economia popular".
Para Boulos, o aumento não se justifica pelo cenário internacional, uma vez que o governo federal anunciou medidas para conter a escalada de preços, como a redução a zero das alíquotas de impostos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins). "O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo", criticou.
As medidas do governo têm o objetivo de evitar que a alta do petróleo no mercado internacional cause impacto na inflação brasileira. O barril do óleo tipo Brent, referência internacional, é negociado nesta sexta-feira por volta de US$ 110 (cerca de R$ 580). Antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, iniciado em 28 de fevereiro, o produto era cotado pouco acima de R$ 70.
Boulos confirmou que terá, na próxima quarta-feira (25), um encontro no Palácio do Planalto com lideranças do movimento dos caminhoneiros, que chegaram a ameaçar uma greve da categoria por causa do combustível mais caro. No entanto, em assembleia no Porto de Santos, na quinta-feira (19), os caminhoneiros decidiram contra a paralisação.
O ministro afirmou que a ideia de greve foi abandonada depois que o governo se comprometeu a atender demandas da categoria. "Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro", contou.
Entre as ações anunciadas, Boulos citou uma "atuação enérgica" para conter a escalada especulativa do preço do diesel. Ele disse que a Polícia Federal (PF) e órgãos de defesa do consumidor estão nas ruas com operações diárias, que podem resultar em prisão. "Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles", descreveu.
A outra demanda atendida foi a publicação da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, na quinta-feira (19), que pune transportadoras que não cumpram o piso estabelecido para o frete. "Não dá para as grandes empresas não cumprirem o piso mínimo", reclamou Boulos, explicando que o texto da MP foi negociado com os caminhoneiros e que apenas multas não estavam inibindo os donos de transportadoras.
O ministro lembrou que o governo já havia se reunido com os caminhoneiros no fim do ano e intensificado a fiscalização, mas mesmo com multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, algumas empresas continuavam a descumprir a regra. A MP determina que, em caso de reincidência das grandes transportadoras, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado.
No cenário internacional, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro, desencadeou um choque global nos preços do petróleo. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200, e uma das formas de retaliação inclui ataques a países vizinhos produtores e o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Aqui no Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pela desoneração (redução de tributos) efetuada pelo governo. O governo também propôs aos estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado.

