O rapper Borges lançou nesta quarta-feira (28) o álbum "O Sol Também Chora", um trabalho que articula uma narrativa entre questões sociopolíticas e vivências espirituais. O disco apresenta colaborações com artistas de diferentes vertentes do gênero, como Emicida, BK, Teto, Duquesa e Ryu, The Runner.
As letras do projeto abordam a trajetória do homem preto em sistemas desiguais, focando na tensão entre sobrevivência, fé e sucesso. Segundo o próprio artista, o conteúdo lírico estabelece diálogos com o pensamento de lideranças históricas, como Malcolm X, Martin Luther King e Nelson Mandela, além de referências brasileiras como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez e Mano Brown.
O conceito central da obra, refletido no título, utiliza o sol como metáfora para o poder e o sacrifício. A narrativa sugere que a ascensão e o brilho do artista carregam custos internos e exposição. Versos presentes em faixas como "Seja Como o Sol" reforçam a ideia de ciclos de renascimento e a necessidade de recuo diante das adversidades.
A identidade visual do álbum foi estruturada a partir de uma paleta de cores específica: o marrom representa ancestralidade e origem; o vermelho simboliza o conflito e o sacrifício; e o amarelo-alaranjado remete à luz e à fé. Essa estética busca referenciar movimentos de libertação e o poder ancestral africano, estendendo-se para a fotografia, os figurinos e os cenários dos videoclipes que acompanham o lançamento.

