A Boom Supersonic, conhecida por seu ambicioso projeto de avião comercial supersônico Overture, anunciou nesta terça-feira uma estratégia inesperada para financiar seu desenvolvimento: a empresa começará a vender uma versão estacionária de sua turbina aeronáutica como usina de energia. O primeiro cliente é a startup de data centers Crusoe, que adquiriu 29 turbinas de 42 megawatts por US$ 1,25 bilhão para gerar 1,21 gigawatts de energia. A entrega está prevista para 2027, com detalhes sobre uma nova fábrica a serem divulgados em 2025.

Para viabilizar a comercialização da turbina estacionária chamada Superpower, a Boom levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Darsana Capital Partners, com participação de investidores como Altimeter Capital, Ark Invest e Y Combinator. O fundador e CEO Blake Scholl explicou à TechCrunch que os lucros das vendas serão direcionados ao desenvolvimento do Overture, numa estratégia que ele compara ao modelo da SpaceX: "Assim como o Starlink financia os foguetes, nosso Superpower financiará o avião supersônico", afirmou Scholl, que há dez anos buscava um "Starlink" para sua empresa.

A turbina Superpower compartilha 80% dos componentes com o motor Symphony projetado para o avião supersônico, aproveitando a tecnologia desenvolvida para a aviação. A Boom já demonstrou capacidades supersônicas com seu protótipo XB-1, que neste ano se tornou a primeira aeronave civil desenvolvida por empresa privada a quebrar a barreira do som. O preço de US$ 1.033 por quilowatt oferecido à Crusoe cobre turbinas, geradores, sistemas de controle e manutenção preventiva, mas exclui controles de poluição e conexões elétricas.

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Analisando os custos totais, a solução da Boom se mostra premium: considerando que turbinas e controles de poluição representam cerca de 46% do custo total em projetos típicos, o valor final pode superar US$ 2.000 por quilowatt - alinhado com turbinas de ciclo combinado previstas para a década de 2030, mas caro para uma turbina de ciclo simples como a Superpower, que tem eficiência de 39%. A empresa promete uma "atualização em campo" para conversão para ciclo combinado, que poderia elevar a eficiência acima de 60%.

Operacionalmente, as turbinas serão entregues em contêineres, com clientes responsáveis pelas conexões e controles ambientais. Scholl garante que o ruído será comparável ao de turbinas aeroderivativas existentes - o que não significa silêncio: relatos de moradores próximos ao data center Colossus da xAI indicam que turbinas similares são audíveis a mais de 800 metros de distância. A produção inicial ocorrerá nas instalações atuais da Boom, com metas ambiciosas de escala: 1 gigawatt em 2028, 2 em 2029 e 4 em 2030.

Em conclusão, a estratégia da Boom representa uma aposta arriscada, porém potencialmente transformadora, no cenário energético e aeronáutico global. Se bem-sucedida, a empresa não apenas criará uma nova fonte de financiamento para reviver os voos supersônicos comerciais, mas também introduzirá uma tecnologia de geração de energia modular e escalável para data centers - setor com demanda crescente por energia confiável. No entanto, o caminho é desafiador: a Boom precisa superar o "vale da morte" típico de startups de hardware, escalar produção em tempo recorde e competir em um mercado energético complexo. O sucesso ou fracasso desta empreitada definirá não apenas o futuro da aviação supersônica, mas também servirá como estudo de caso sobre como empresas de tecnologia profunda podem financiar projetos visionários através de aplicações comerciais paralelas.