O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro registrou um número expressivo de salvamentos durante as celebrações de réveillon nas praias da capital. Entre a quarta-feira (31) e as 6h desta quinta-feira (1º), foram realizados 547 resgates de pessoas nas praias de Copacabana e Leme, na zona sul da cidade. O balanço supera em muito o registrado na passagem de 2024 para 2025, quando ocorreram 29 salvamentos. Em todo o estado, a operação especial preparada pela corporação contabilizou 840 atendimentos.

Para o tenente-coronel Fábio Contreiras, porta-voz dos Bombeiros, a ressaca do mar, com ondas de até 2,5 metros, foi um fator determinante para o aumento dos casos. O problema foi agravado pelo fato de muitos banhistas não respeitarem os alertas emitidos para evitar o banho de mar. "As pessoas ignoraram. Tomadas pelo calor em dia muito quente, realmente não seguiram as orientações dos guarda-vidas, não respeitaram as cores das bandeiras e muitas vezes entram no mar mesmo depois dos guarda-vidas apitarem e acabam se afogando", disse Contreiras à Agência Brasil.

O militar destacou que as operações de resgate envolveram diversos recursos. Muitas vítimas foram retiradas das águas por helicópteros, outras por motos aquáticas, e algumas foram salvas diretamente pelos guarda-vidas. "Não há como a gente não relacionar isso ao descumprimento e ao desrespeito às normas de segurança do mar por parte dos banhistas. É um número muito alto na conjunção do calor muito forte, a presença da ressaca e a inobservância das pessoas que estavam na praia", afirmou.

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Nos dias que antecederam o réveillon, o porta-voz vinha fazendo alertas públicos, inclusive recomendando que as pessoas não cumprissem a tradição de pular sete ondas para dar sorte e felicidade. A força das ondas levava as águas bem perto dos palcos montados para os shows. "Crianças, idosos, principalmente, podem ser surpreendidas por estas ondas que podem derrubar as pessoas mesmo na beira da praia e serem arrastadas para o fundo. É um tipo de afogamento que pode acontecer também", observou.

Um caso grave ainda mobiliza os bombeiros: o desaparecimento de um jovem de 14 anos, natural de Campinas, em São Paulo, que foi levado pela correnteza na manhã de quarta-feira (31), durante a arrebentação. A corporação continua empregando todos os recursos disponíveis na busca, incluindo mergulhadores, motos aquáticas, um barco inflável equipado com sonar, helicópteros e drones. A família do adolescente acompanha as operações. "O trabalho continua manhã, tarde, noite e madrugada. A gente não para até que possa encontrar a vítima, ainda que sem vida. A gente não pode dizer que vai encontrar com vida, mas é importante encontrar para acabar com a angústia da família", disse Contreiras.

As condições do mar seguem desfavoráveis, com ondulação forte e muita energia, além da presença de valas ou correntes de retorno ativadas. Fenômenos como maré e vento também favorecem a ocorrência de afogamentos. "A orientação é que até domingo as pessoas que forem para as praias obedeçam e sigam as cores das bandeiras que estão na areia. Com bandeira vermelha não são locais para mergulhar", reforçou o tenente-coronel.

O balanço dos Bombeiros também revelou preocupação com crianças perdidas. Em todo o estado, desde o início do ano de 2025, já foram mais de 3.300 casos. Apenas no período do réveillon, das 6h de quarta até as 6h de quinta, 35 crianças se perderam nas praias. Contreiras orientou os responsáveis a utilizarem pulseiras de identificação e a manterem atenção redobrada. "Para não perder a criança a recomendação é que o adulto não se distraia com nada, conversa paralela, celular, com excesso de bebida alcoólica. No mar deve estar no máximo a um metro para não perder ela de vista", sugeriu.

A corporação está com a Operação Verão em andamento desde 19 de dezembro, quando foi percebido o aumento no fluxo de banhistas. A iniciativa incluiu o reforço de guarda-vidas nas praias e a instalação de novos postos, com mais de 5.400 novas vagas em serviço adicional. "No ano passado foram abertas 3.500 vagas. A gente aumentou bastante a quantidade de vagas e o reforço de homens e mulheres nas areias do estado", informou o porta-voz, acrescentando que 38 postos móveis (trailers) estão sendo utilizados para atender praias mais distantes.

Outra recomendação da Operação Verão é evitar banhos noturnos, considerados mais perigosos devido à baixa visibilidade. O serviço de alerta tem sido feito por meio de drones que emitem mensagens sonoras. "Geralmente são mais letais e perigosos pela baixa visibilidade", finalizou Contreiras.