Um ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela destruiu completamente o prédio do Centro de Matemática do Instituto Venezuelano de Investigações Científicas (IVIC), localizado no estado de Miranda, vizinho à capital Caracas. O instituto, ligado à Universidade Nacional das Ciências do país, divulgou nesta quarta-feira (7) que além da destruição total do centro de matemática, os laboratórios de Física, Química, Ecologia e Tecnologia Nuclear sofreram danos parciais. Segundo o comunicado oficial, não houve feridos no ataque.

O vice-ministro de Aplicação do Conhecimento Científico e diretor do IVIC, Alberto Quintero, condenou veementemente a ação. "O conhecimento, a ciência e a tecnologia não podem ser usados como armas de guerra para destruir nações. Atacar civis, promover guerras e visar instalações civis e militares e centros de pesquisa científica, perturbando a paz de um povo, nada mais são do que atos de terrorismo e crimes contra a humanidade", afirmou Quintero em declaração oficial.

A investigação técnica realizada pelo próprio instituto identificou que as instalações foram atingidas por uma bomba AGM 154 C-1, um projétil guiado de alta precisão com mais de 4 metros de largura. "O registro dos fragmentos [do projétil] encontrados pela investigação iniciada neste instituto demonstra que o míssil que atingiu nosso centro de pesquisa é do tipo AGM 154 C-1", detalha o comunicado do IVIC, que divulgou um vídeo com imagens dos prédios destruídos.

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O instituto informou que vai reconstruir as instalações danificadas, mas destacou a gravidade dos prejuízos científicos. "Essas áreas abrigavam servidores e equipamentos essenciais para nossas redes de computadores, que foram completamente devastadas. Não há qualquer justificativa para atacar um santuário da ciência, um lugar que forneceu respostas históricas para o país e para o mundo", completa a nota oficial.

O bombardeio faz parte de uma ação militar mais ampla dos Estados Unidos, que atacou quatro cidades venezuelanas no último sábado (3) e sequestrou o presidente Nicolás Maduro, acusado pelo governo norte-americano de envolvimento com narcotráfico. Até o momento, as autoridades venezuelanas confirmaram 58 mortes durante a invasão dos EUA ao país.

A ação militar tem gerado ampla repercussão internacional. A ONU e diversos países criticaram a intervenção, apontando violação do direito internacional e alertando para um precedente perigoso para a América Latina e o mundo. Maduro nega as acusações de narcotráfico e afirma que a ação visa assumir o controle das riquezas naturais da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta.

Com a saída forçada de Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado a presidente interina Delcy Rodríguez para que conceda acesso total aos norte-americanos no território venezuelano, prometendo "governar" o país até uma transição política. Rodríguez, por sua vez, mantém a posição de que a Venezuela seguirá independente e soberana.

O ataque ao centro de pesquisas ocorre em um contexto de crescente tensão na região, com a comunidade internacional dividida sobre a intervenção norte-americana. Enquanto alguns países apoiam a ação como medida contra um governo considerado ilegítimo, outros veem na operação uma violação flagrante da soberania nacional e um ataque direto ao desenvolvimento científico de um país.