O ex-presidente Jair Bolsonaro, internado desde a véspera de Natal em um hospital particular de Brasília, recebeu a confirmação de alta para a manhã desta quinta-feira (1º), segundo atualização dos médicos que o acompanham. Caso não ocorra nenhuma intercorrência, ele retornará à cela onde cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal (PF), na capital federal. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão no processo da trama golpista.
"A princípio, a alta já está programada, salvo alguma intercorrência", afirmou o cardiologista Brasil Caiado, do Hospital DF Star, em entrevista a jornalistas na tarde de quarta-feira (31). "Nós pretendemos chegar cedo [na quinta], fazer a avaliação de rotina e, se não houver nada de diferente, comunicar a superintendência da PF, aí já não depende mais de nós", completou o especialista.
Bolsonaro foi internado no dia 24 de dezembro e, no dia seguinte, submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal. A internação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que o ex-presidente deixasse temporariamente a carceragem da PF para os procedimentos médicos.
Além da cirurgia, o ex-presidente enfrentou uma crise persistente de soluços, que o acomete há meses. Para tentar controlar o problema, ele passou por ao menos três cirurgias de bloqueio do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma. "A gente notou que o bloqueio do diafragma dos dois lados diminuiu a intensidade dos soluços, mas não cessou a crise de soluços. Isso mostra que o estímulo não é do pescoço para baixo, mas é do pescoço para cima. É provavelmente um estímulo de origem no sistema nervoso central, que não adianta você fazer um bloqueio definitivo do nervo", explicou o cirurgião Claudio Birolini.
Segundo os médicos, as crises de soluços são os momentos que mais agravam o estado psicológico de Bolsonaro. "A gente percebe uma piora considerável nos momentos de soluços prolongados. A diferença no estado emocional, físico, ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que ele passa com soluços. É o pior estágio. Ele já chegou aqui em um estado emocional mais deprimido, mas oscila muito", avaliou Caiado. O tratamento seguirá com medicação e outras terapias alternativas.
O desconforto também está sendo tratado com antidepressivos, a pedido do próprio ex-presidente. "O próprio presidente pediu para fazer uso de algum medicamento antidepressivo, então, foi introduzido e a gente espera que esse tratamento passe a fazer algum efeito em alguns dias", informou Birolini.
Com a alta, caberá a Bolsonaro fazer o autocuidado na cela da PF, embora os médicos possam visitá-lo sempre que necessário. "Ele [Bolsonaro] está mais disciplinado, entendeu a importância de colaborar em relação à alimentação, a não deitar depois de comer, que é um ponto que gera muito refluxo, comendo de forma mais adequada, mais fracionada. Toda a nossa recomendação, ele está muito disciplinado e seguindo sempre", disse Caiado.
A cela onde o ex-presidente cumpre pena tem cerca de 12 metros quadrados (m²) e foi reformada recentemente. O espaço conta com paredes brancas, cama de solteiro, armários, mesa de apoio, televisão, frigobar, ar condicionado, janela e banheiro privativo.
No último boletim médico, divulgado na quarta-feira após a coletiva, o Hospital DF Star informou que Bolsonaro melhorou da crise de soluços e realizou uma endoscopia digestiva alta, exame que evidenciou a persistência de esofagite e gastrite.
Outro problema de saúde enfrentado pelo ex-presidente é a apneia obstrutiva do sono. Para tratar a condição, ele passou a usar um aparelho médico chamado CPAP, que fornece um fluxo constante de ar através de uma máscara para manter as vias aéreas abertas. "Já é a segunda noite que ele usa a máscara, o CPAP, ele se adaptou bem, disse que dormiu melhor e está sim indicado o uso contínuo enquanto ele tiver na carceragem. Inclusive, ele vai sair daqui com o aparelho", informou Birolini.

