O ex-presidente Jair Bolsonaro encaminhou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10) solicitando autorização para receber a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, no complexo penitenciário onde está preso. Beattie, aliado do ex-presidente Donald Trump, trabalha para o Departamento de Estado norte-americano e é responsável pelos assuntos ligados ao Brasil.

A defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil. O pedido também inclui a entrada de um tradutor na prisão. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, será o responsável por decidir sobre a autorização.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local, conhecido como Papudinha, é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.

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A solicitação ocorre em um contexto de decisões recentes do STF sobre o caso. Na última semana, o tribunal negou por unanimidade um pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro, mantendo-o no regime fechado. A defesa do ex-presidente tem buscado alternativas para manter contato com aliados internacionais, argumentando questões diplomáticas e de direitos humanos.

Darren Beattie é uma figura conhecida nos círculos políticos conservadores dos Estados Unidos. Sua atuação no Departamento de Estado inclui a coordenação de políticas relacionadas ao Brasil, o que torna a visita de interesse tanto para o governo norte-americano quanto para a defesa de Bolsonaro. Analistas apontam que o encontro pode ter implicações nas relações bilaterais entre os dois países.

O Complexo Penitenciário da Papuda, onde fica a Papudinha, segue protocolos rigorosos para visitas, especialmente quando envolvem autoridades estrangeiras. A decisão de Moraes levará em consideração aspectos de segurança, legalidade e a natureza oficial da visita de Beattie ao Brasil. Caso autorizada, será a primeira vez que Bolsonaro recebe um representante do governo dos Estados Unidos desde o início de sua prisão.

O caso tem gerado debates sobre o tratamento dado a presos de alta visibilidade no sistema carcerário brasileiro. Enquanto a defesa argumenta a necessidade de acesso a representantes diplomáticos, críticos questionam os privilégios em um sistema marcado por superlotação e condições precárias para a maioria dos detentos.