A atividade econômica do Brasil apresentou uma leve desaceleração em outubro deste ano, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um termômetro do desempenho da economia, recuou 0,2% em relação a setembro, quando são considerados os dados dessazonalizados, que ajustam as variações sazonais do período.
Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o indicador registrou uma variação positiva de 0,4%, sem ajuste sazonal, já que a análise é entre meses equivalentes. No acumulado do ano até outubro, o IBC-Br ficou positivo em 2,4%, e, em 12 meses, a alta foi de 2,5%, mostrando que, apesar do recuo pontual, a trajetória geral ainda é de crescimento.
O IBC-Br é uma ferramenta utilizada pelo BC para avaliar a evolução da atividade econômica do país e auxilia o Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O índice incorpora informações de setores-chave como indústria, comércio e serviços, agropecuária e o volume de impostos, oferecendo uma visão abrangente do ritmo da economia.
A Selic, atualmente definida em 15% ao ano, é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando o Copom eleva a taxa, o objetivo é frear uma demanda aquecida, pois juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Isso ajuda a conter a inflação, mas também pode dificultar a expansão econômica. Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando a produção e o consumo, o que aquece a atividade, mas pode pressionar os preços.
O cenário atual de inflação em moderação e crescimento econômico mais contido levou o Copom a manter a Selic em 15% pela quarta vez consecutiva na última reunião do ano, realizada na semana passada. A taxa está no maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a Selic começou a ser elevada em setembro de 2024, atingindo 15% em junho e permanecendo nesse nível desde então.
Em comunicado, o BC destacou que o cenário atual é marcado por grande incerteza, exigindo cautela na política monetária, e que a estratégia é manter a Selic neste patamar por um período prolongado. O Copom não deu pistas sobre quando deve iniciar os cortes dos juros, mantendo o mercado em alerta para os próximos movimentos.
No front da inflação, os dados mais recentes mostram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro ficou em 0,18%, acima dos 0,09% registrados em outubro, impulsionado por itens como passagens aéreas. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,46%, dentro do intervalo da meta, que é de 1,5% a 4,5%. Essa desaceleração inflacionária, combinada com indicadores como o IBC-Br, reforça a postura cautelosa do BC.
Vale ressaltar que o IBC-Br, divulgado mensalmente, emprega uma metodologia diferente da usada para medir o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o BC, o índice "contribui para a elaboração de estratégia da política monetária" do país, mas "não é exatamente uma prévia do PIB".
O PIB representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país. No segundo trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,4%, puxada pelas expansões dos serviços e da indústria. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%, marcando o quarto ano seguido de crescimento e a maior expansão desde 2021, quando alcançou 4,8%.
Economistas têm apontado que a Selic elevada tem impactado negativamente a atividade econômica, refletindo em indicadores como o recuo do IBC-Br em outubro. A manutenção da taxa em patamares altos, embora necessária para o controle inflacionário, segue como um desafio para o crescimento sustentado da economia brasileira nos próximos meses.

