O número de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra centros e profissionais de saúde segue crescendo na nova fase do conflito no Oriente Médio, configurando violações graves do direito humanitário internacional. Dados divulgados nesta terça-feira (24) revelam um cenário devastador no Líbano e no Irã, onde centenas de unidades médicas foram danificadas ou destruídas, enquanto organizações internacionais alertam para o colapso dos sistemas de saúde locais.
No Líbano, o Ministério da Saúde informou que 70 unidades de saúde foram atingidas por bombardeios desde 2 de março - um aumento alarmante em relação às 18 unidades registradas há duas semanas. Os ataques já mataram 42 profissionais de saúde e feriram outros 119, obrigando o fechamento de cinco hospitais e causando danos parciais a nove unidades. Pelo menos 54 unidades básicas de saúde foram fechadas, sobrecarregando um sistema que precisa atender mais de 2,9 mil feridos pelo conflito.
Dois paramédicos foram assassinados hoje na cidade libanesa de Nabatieh, após um ataque israelense contra um comboio de motocicletas, segundo a Agência Nacional de Notícias do Líbano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou os dados do governo libanês, destacando que "profissionais e instalações de saúde no Líbano têm sido repetidamente afetados por ataques, incluindo incidentes que resultaram em múltiplas mortes e feridos".
No Irã, a situação não é menos grave. O Ministério da Saúde local informou que ataques de Israel e dos EUA danificaram 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias ou outros equipamentos do sistema de saúde, com 23 profissionais mortos. A Crescente Vermelha Iraniana registrou números semelhantes: 281 centros médicos, hospitais, farmácias e filiais da organização foram danificados, incluindo 17 bases da Cruz Vermelha e 94 ambulâncias alvejadas diretamente.
A Força de Defesa de Israel (FDI) justifica os ataques alegando que o Hezbollah faz "uso militar extensivo" de ambulâncias e instalações médicas. Porém, a Anistia Internacional rebate essas acusações. "Lançar acusações alegando que instalações de saúde e ambulâncias estão sendo usadas para fins militares sem apresentar qualquer prova não justifica tratar hospitais, instalações médicas ou transporte médico como campos de batalha", diz Kristine Beckerle, diretora Regional Adjunta para o Oriente Médio e Norte da África da organização.
Especialistas apontam que a destruição de infraestrutura médica parece ser uma estratégia deliberada. O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi avalia que "é um crime de guerra e pretendem, com isso, pressionar e aterrorizar a população civil, mostrando que eles vão atacar e não vai ter ninguém para ajudá-los". Filho de libaneses, Anwar acrescenta que o objetivo seria forçar revoltas populares no Irã ou contra o Hezbollah no Líbano.
Os ataques seguem um padrão já visto em Gaza, onde a OMS registrou 931 ataques a unidades de saúde desde 7 de outubro de 2023, com 991 profissionais de saúde assassinados. Israel sempre justificou esses ataques alegando que o Hamas utilizaria unidades de saúde como "escudo", acusação negada pelo grupo palestino.
Enquanto os EUA negam ataques a instalações civis no Irã - com o secretário de Estado Marco Rubio ponderando que "efeitos colaterais" são possíveis durante combates -, a comunidade internacional acompanha com preocupação o agravamento humanitário. O cenário atual contrasta com a ausência de ataques registrados contra centros médicos em Israel ou outros países do Golfo Pérsico alvos de ataques iranianos.

