O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, país que detém a maior reserva petrolífera do mundo, gerou reflexos imediatos nas cotações do ouro e do dólar, além de influenciar os preços de comercialização do petróleo. No entanto, para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, essa volatilidade tem caráter mais especulativo do que prático, uma vez que o petróleo venezuelano tem relevância limitada para o comércio mundial do produto atualmente.

O professor Alexandre Szklo, do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, lembra que a Venezuela responde por "menos de 1%" do mercado global de petróleo. Essa pequena participação é atribuída a dois fatores principais: os embargos impostos pelos Estados Unidos ao país e as características específicas do petróleo venezuelano, que é muito pesado e requer refinarias especializadas, localizadas principalmente no Golfo do México e nos próprios EUA.

Ser a maior reserva do mundo não garante acesso imediato à riqueza, como explica o professor. O processo de refino envolve desde planejamento e pesquisa até extração, tratamento e distribuição, etapas que dependem de infraestrutura adequada. "Hoje, a Venezuela produz muito pouco e oferece muito pouco para o mercado internacional de petróleo", afirma Szklo, destacando que a maior parte do petróleo venezuelano está em reservas sem estrutura para exploração.

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Além das questões técnicas, o contexto geopolítico influencia diretamente o mercado. Notícias relacionadas mostram que a Venezuela pediu à ONU que condene os EUA, acusando o país de interesse no petróleo, enquanto nações como Catar, China e Rússia têm se manifestado a favor do diálogo ou da libertação do presidente Nicolás Maduro. Esses movimentos contribuem para a instabilidade nos preços, mas, segundo Szklo, "o impacto de curto prazo da Venezuela no mercado internacional de petróleo é bastante limitado".

Em um cenário de longo prazo, no entanto, a produção venezuelana poderá se tornar mais significativa, especialmente se houver investimentos em infraestrutura e mudanças nas sanções. Enquanto isso, o comércio clandestino de petróleo tem crescido, com as chamadas "frotas fantasmas" driblando embargos como os impostos à Venezuela, Irã e Rússia. Szklo explica que esses navios operam sem contratos de seguro padrão, representando riscos maiores para o transporte. "Especula-se algo da ordem de 300 embarcações de petroleiros de grande porte compondo essas frotas fantasmas", complementa.

Assim, embora a tensão entre EUA e Venezuela cause flutuações nos mercados financeiros, a realidade é que a participação venezuelana no fornecimento global de petróleo ainda é mínima. A volatilidade observada reflete mais a especulação e as incertezas geopolíticas do que uma dependência real do produto venezuelano, que enfrenta barreiras técnicas e comerciais para alcançar seu potencial.