O ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, neste sábado (28), desencadeou uma onda imediata de reações de governos ao redor do mundo. Enquanto algumas nações condenaram veementemente a ação militar, outras manifestaram apoio à medida, evidenciando as profundas divisões geopolíticas em torno da escalada de tensões no Oriente Médio.
Uma das declarações mais contundentes partiu do vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, que ironizou a postura norte-americana. “O pacificador agiu novamente. As negociações com o Irã foram apenas uma fachada. Todos sabiam disso. Então, quem tem mais paciência para esperar pelo triste fim do inimigo agora? Os EUA têm apenas 249 anos. O Império Persa foi fundado há mais de 2,5 mil anos. Vamos ver o que acontece em uns 100 anos”, afirmou, em tom que mistura ceticismo com uma advertência histórica.
Do lado europeu, o presidente francês, Emmanuel Macron, expressou grave preocupação através de uma rede social. “O início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã traz graves consequências para a paz e segurança internacionais”, escreveu. Ele acrescentou que “neste momento decisivo, todas as medidas estão sendo tomadas para garantir a segurança do nosso território nacional, nossos cidadãos e nossos interesses no Oriente Médio”, sinalizando uma postura de cautela e proteção.
O presidente espanhol, Pedro Sanchez, foi mais direto em sua condenação. “Rechaçamos a ação militar unilateral dos EUA e de Israel, que representa uma escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil. Rejeitamos igualmente as ações do regime iraniano e da Guarda Revolucionária. Não podemos nos permitir outra guerra prolongada e devastadora no Oriente Médio. Exigimos a desescalada imediata e o pleno respeito ao direito internacional. É hora de retomar o diálogo e alcançar uma solução política duradoura para a região”, declarou, defendendo uma solução diplomática.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também manifestou apreensão. “Os acontecimentos no Irã são de grande preocupação”, avaliou. “Permanecemos em contato próximo para salvaguardar a segurança regional e a estabilidade. Garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam escalar tensões e minar o programa de não proliferação nuclear é de vital importância. A União Europeia adotou grandes sanções em resposta às ações do regime assassino do Irã e de sua Guarda Revolucionária e promovemos consistentes esforços diplomáticos”, afirmou, equilibrando críticas ao Irã com um chamado à moderação.
No Líbano, país vizinho que teme ser arrastado para o conflito, o primeiro-ministro Nawaf Salam fez um apelo público. “Diante dos graves desenvolvimentos que a região está vivenciando, volto a apelar a todos os libaneses para que se revestam de sabedoria e patriotismo, colocando o interesse do Líbano e dos libaneses acima de qualquer cálculo. E reitero que não aceitaremos que alguém arraste o país para aventuras que ameacem sua segurança e sua unidade”, escreveu em rede social, refletindo o temor de uma expansão do conflito.
Do outro lado do espectro, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, expressou apoio aos Estados Unidos. Em um longo texto, afirmou que a Austrália está do lado do “povo corajoso do Irã em sua luta contra a opressão”, acusando o regime iraniano de ser “uma força desestabilizadora por meio de seus programas de mísseis balísticos e nucleares, apoio a grupos armados e atos brutais de violência e intimidação”. Albanese declarou ainda que a Austrália “apoia os Estados Unidos em ações para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e para impedir que o Irã continue a ameaçar a paz e a segurança internacional”.
Enquanto isso, na Ásia, a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, focou em medidas práticas de segurança. “Israel anunciou que realizou um ataque preventivo contra o Irã. Em seguida, também foi anunciado o envolvimento dos Estados Unidos. Dada a existência de tais preocupações, até agora vínhamos tomando medidas preventivas, como a evacuação antecipada de cidadãos japoneses para nos prepararmos para qualquer eventualidade. No entanto, ao receber a notícia, imediatamente instruí os ministérios relevantes a intensificarem a coleta de informações e a adotarem todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos japoneses que permanecem no local”, disse, destacando a prioridade na proteção de civis.
O ataque já começa a gerar efeitos práticos imediatos, com companhias aéreas suspendendo voos para a região e relatos de que o Irã teria disparado mísseis contra países árabes do Golfo em resposta. O cenário aponta para uma crise de proporções globais, onde cada declaração oficial carrega o peso de alianças estratégicas e temores de uma guerra mais ampla. A comunidade internacional agora observa, com apreensão, os próximos capítulos deste confronto que redefine as fronteiras da diplomacia e da força no tabuleiro do Oriente Médio.

