No coração do Vale do Ribeira, em Miracatu, o tronco da bananeira se transforma em arte, sustento e legado. Para Léia Alves, de 48 anos, que chegou à região vinda de São Paulo, o artesanato com fibras naturais representou mais do que uma profissão: significou uma reconexão com a terra e uma rede de apoio entre mulheres. "Ser artesã significa empreender e trabalhar em parparceria com a natureza", afirma ela, cuja trajetória hoje integra o Programa Empreendedor Artesão, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado de São Paulo.

Léia encontrou na Banarte, uma associação que preserva técnicas ancestrais de extração e trançado das fibras de bananeira, não apenas um ofício, mas um caminho para a autonomia financeira. A matéria-prima, abundante na região após a colheita dos cachos, se torna a base de uma cadeia produtiva que envolve cerca de 50 famílias da zona rural, majoritariamente mulheres, e sustenta diretamente 20 artesãs. "Capacitamos pessoas que precisam conquistar o próprio sustento. Com o programa, elas conseguem colocar o produto no mercado e alcançar novos clientes", explica Léia.

O processo começa no campo, onde o caule da bananeira é retirado manualmente após a colheita. Desse caule, formado por várias camadas, são extraídos cinco tipos diferentes de fibras, cada uma com características próprias. A extração e desidratação são feitas à mão, mantendo viva uma tradição quilombola que passa de geração em geração. "A fibra de bananeira é a base do nosso trabalho e um símbolo de resistência. Os humanos nasceram para criar. Nosso maior legado não é o que somos, mas sim o que trazemos à existência", reflete a artesã.

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Dentro da associação, a "transmissão de saberes" abrange desde a identificação das fibras em cada parte da bananeira até o domínio das técnicas de trançado e tecelagem nos teares. Esse aprendizado coletivo une mulheres da cidade e da zona rural, todas capacitadas para atuar em diferentes etapas, da extração à confecção das peças. O resultado são produtos que carregam história, textura e identidade regional.

Para fortalecer essa atividade, o Programa Empreendedor Artesão oferece três pilares principais. Na formalização, inclui a emissão da Carteira do Artesão em nível estadual e nacional, orientação para negócios (como MEI, cooperativas e associações) e atendimento itinerante planejado para 2026. Na qualificação, proporciona cursos presenciais e on-line em gestão, marketing, vendas e ferramentas digitais, além de capacitação técnica em diversas modalidades de artesanato. No acesso ao crédito, disponibiliza linhas de financiamento através do Banco do Povo Paulista e da Desenvolve SP, com condições facilitadas para modernizar e expandir os negócios.

Segundo Léia, a Carteira do Artesão tem sido um diferencial: "Com a Carteira do Artesão, podemos participar de mais eventos e editais", destaca. O programa, portanto, não apenas preserva uma tradição cultural, mas a transforma em uma ferramenta de inclusão econômica e social, permitindo que essas artesãs levem seus produtos além das fronteiras locais e construam um futuro sustentável a partir de suas raízes.

Mais informações sobre o Programa Empreendedor Artesão podem ser encontradas no site da Secretaria de Desenvolvimento Econômico: https://www.desenvolvimentoeconomico.sp.gov.br/DesenvolvimentoEconomico/institucional/Programas/empreendedor-artesao.