O arquiteto Lucas Candiani, de 28 anos, passou quatro meses com um nó na garganta. Seu HB20, comprado no fim de 2024 para o lazer da família, virou sinônimo de dor de cabeça quando começaram a chegar multas do Estado da Bahia em fevereiro de 2025. "Começaram a chegar as primeiras notificações de multa do Estado da Bahia, o que nos deixou desnorteados já que nunca fomos para lá", relata o morador de Itu, no interior de São Paulo. O que parecia um erro burocrático revelou-se um problema crescente no Brasil: a clonagem de placas de veículos.

A família recorreu imediatamente e procurou atendimento na unidade do Detran-SP em Itu. Em abril, abriu-se um processo para investigar a situação. O desfecho positivo veio quatro meses depois, quando um servidor do órgão ligou para confirmar: o veículo clonado havia sido localizado e a propriedade do HB20 original estava validada. "Quando recebemos a ligação para confirmar que o veículo original era o meu, foi um alívio. Todo o processo de busca e localização foi muito eficiente", afirma Lucas.

O caso do arquiteto é um exemplo do trabalho que o Detran-SP vem realizando desde maio de 2024, quando criou uma divisão especializada para tratar de veículos dublês. A estratégia combina tecnologia de monitoramento com uma atuação integrada às forças policiais. "Centralizamos os casos do Estado inteiro e ganhamos agilidade com o uso de sistemas de monitoramento e contato direto com as forças policiais", explica Daiane Felício, Coordenadora de Fiscalização do Detran-SP.

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No caso de Lucas, após a abertura do processo, o Detran-SP enviou ofícios para a Polícia Rodoviária Federal e para a Polícia Militar da Bahia, fornecendo mapas e registros dos locais onde as infrações foram cometidas. A articulação deu resultado antes mesmo da necessidade de substituir as placas do carro original: o veículo dublê foi encontrado e apreendido.

Os números mostram a eficácia do modelo. Desde maio de 2024 até novembro deste ano, a divisão especializada registrou 4.104 processos de suspeitas de veículos dublês. Esses veículos teriam sido responsáveis por mais de 6.246 mil infrações. Até agora, 418 veículos clonados foram identificados e apreendidos pela polícia. Em média, a cada um dia e meio, um carro dublê é retirado das ruas do Estado de São Paulo.

Outros casos recentes comprovam a agilidade do sistema. Um Toyota Corolla original de Corinto (MG), que acumulava 13 multas emitidas pelo dublê, teve o veículo clonado localizado e apreendido em São Paulo em apenas 11 dias. Já uma Honda ADV 150 de Botucatu (SP), com 6 infrações emitidas por um dublê na capital paulista, foi apreendida dois dias após o início das buscas, em outubro.

Para o cidadão que não reconhece multas atribuídas ao seu veículo, o caminho é recorrer ao órgão autuador e solicitar ao Detran do Estado de registro a abertura do processo de verificação de clonagem. No Detran-SP, o passo a passo está disponível no site oficial, e os documentos necessários incluem boletim de ocorrência, laudo de vistoria legível, documento de identificação pessoal, CRLV, imagens nítidas do veículo e os autos de infração não reconhecidos.

"Estamos reforçando a ação dessa divisão especializada, com foco principal na resolução do problema do cidadão, garantindo que a vítima não seja prejudicada", reforçou Vinicius Novaes, responsável pela Diretoria de Veículos Automotores do Detran-SP. "O processo se dá na fiscalização e com os processos que envolvem a documentação e a regularização do veículo legítimo. É um exemplo de como a gestão moderna resolve causas sem punir inocentes."

Para Lucas Candiani, a experiência, apesar do susto inicial, terminou com a confiança restaurada no sistema. O HB20, que era sinônimo de conquista e independência, voltou a ser apenas motivo de alegria para os passeios em família.