A cidade de Apucarana, no norte do Paraná, deu um importante passo rumo ao fortalecimento de sua economia ao apresentar um estudo técnico detalhado durante uma reunião do Fórum Desenvolve Apucarana. O levantamento, elaborado pela Prefeitura, traça um diagnóstico atual do cenário econômico do município e propõe caminhos concretos para impulsionar o crescimento, enfrentando gargalos históricos e aproveitando oportunidades inexploradas. Apesar do aumento expressivo na abertura de empresas nos últimos anos, o estudo identifica entraves que impedem o pleno desenvolvimento da cidade, como a existência de mais de 500 vazios urbanos e a insuficiência na oferta de energia elétrica — dois fatores que afetam diretamente a expansão dos setores produtivos. O material foi apresentado pelo secretário municipal da Fazenda, professor Rogério Ribeiro, e pelo secretário municipal de Indústria, Comércio e Serviços, Emerson Toledo. O convite partiu do próprio Fórum, que reúne representantes de diversos segmentos da sociedade civil organizada com o objetivo de fomentar o debate e construir soluções conjuntas para os desafios econômicos de Apucarana. Durante o encontro, o prefeito Rodolfo Mota reforçou a importância de envolver a sociedade na busca por estratégias sustentáveis de crescimento. “Nosso crescimento real nos últimos anos ficou abaixo da média estadual e nacional. Precisamos refletir, junto com a sociedade civil, como potencializar o desenvolvimento econômico, destravar a cidade e preparar Apucarana para o futuro”, afirmou. O gestor municipal ainda destacou o potencial desperdiçado da cidade: “Existem mais de 500 terrenos vazios na área central. Esses vazios urbanos poderiam estar gerando empregos, movimentando o comércio e ampliando os serviços.” O levantamento técnico apresentado se baseia em dados de fontes oficiais como IBGE, PNAD, Caged e registros da própria Prefeitura. Segundo Rogério Ribeiro, somente no primeiro semestre de 2025, foram abertas 1.947 novas empresas no município — número que já representa 67% do total de 2024, quando 2.905 empresas foram registradas. “Se mantido esse ritmo, poderemos ter um crescimento de até 30% no número de empresas abertas em 2025”, projeta o secretário. A maior parte dessas novas empresas (72,4%) são classificadas como MEIs (Microempreendedores Individuais), reflexo, segundo Ribeiro, do ambiente pós-pandemia que impulsionou o empreendedorismo e da simplificação trazida pela liberdade econômica. No entanto, ele faz uma análise crítica do cenário: “Esse movimento pode demonstrar dinamismo da economia, mas também exige análise qualitativa. Nem sempre o aumento de MEIs significa maior estabilidade econômica, pois pode estar ligado à perda de empregos”. Para enfrentar esse desafio, Rogério defende a criação de um banco de dados municipal robusto que permita qualificar melhor as informações sobre o ambiente empresarial. “O crescimento do número de empresas impacta diretamente na geração de renda e no aumento do PIB local. O faturamento das empresas se transforma em salários, impostos, lucros, juros. Tudo isso compõe a renda agregada do município. E o crescimento econômico é a primeira condição para melhorar a qualidade de vida da população”, avaliou. O secretário Emerson Toledo, por sua vez, explicou que o Fórum Desenvolve Apucarana está estruturando câmaras temáticas voltadas para debater mais profundamente os principais temas ligados ao desenvolvimento econômico da cidade. Ele apresentou as seis ações prioritárias apontadas no estudo: Essas medidas, segundo Toledo, têm o objetivo de consolidar um planejamento estratégico de longo prazo. Mas ele também ressaltou que, além da visão de futuro, existem entraves imediatos que precisam ser enfrentados. “Houve manifestações sobre a insuficiência na oferta de energia elétrica para as indústrias e os investimentos previstos pela CCR PRVias que opera nas rodovias da região de Apucarana. Estamos atentos a essas demandas e atuando junto às concessionárias e órgãos competentes para garantir as condições necessárias ao desenvolvimento de Apucarana”, explicou. A estratégia da Prefeitura de Apucarana não se limita à produção de diagnósticos técnicos, mas se apoia também na construção coletiva de soluções. O Fórum Desenvolve Apucarana representa esse espírito de colaboração, reunindo empresários, representantes do poder público, universidades, associações comerciais, entidades sindicais e a população em geral para pensar o presente e o futuro da cidade. A meta do grupo é clara: destravar a economia local, gerar empregos qualificados e garantir que Apucarana esteja preparada para os desafios das próximas décadas. Para isso, o debate precisa ser contínuo, técnico, mas também humano, ouvindo as diferentes vozes que compõem o município. Ao reconhecer os obstáculos e propor alternativas viáveis, a cidade sinaliza que está pronta para romper com ciclos de estagnação e trilhar um caminho de desenvolvimento sustentável. O plano está posto — agora, é transformar planejamento em ação concreta.
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