A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso em todo o Brasil da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, um marco para a saúde pública brasileira. O imunizante, produzido em São Paulo, é o primeiro do mundo aprovado com aplicação em dose única, o que promete revolucionar as campanhas de vacinação contra a doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos.

Próximos passos para a vacinação

Com a aprovação regulatória, o Instituto Butantan já possui mais de um milhão de doses prontas para disponibilizar ao Ministério da Saúde. A definição sobre quando começará a campanha nacional e qual será o público-alvo prioritário ficará a cargo do ministério, que deverá considerar fatores como a distribuição geográfica dos casos e a capacidade inicial de produção.

Publicidade
Publicidade

Diferenciais da vacina brasileira

A Butantan-DV, como é chamada a vacina, representa uma conquista da ciência nacional. Além da praticidade da dose única – que estudos internacionais associam a melhor cobertura vacinal e menor impacto econômico –, o imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, pode causar desde sintomas leves até complicações graves que levam à morte, com mal-estar que persiste por dias ou semanas.

Tecnologia em pó que facilita a logística

A vacina utiliza tecnologia de liofilização, processo que transforma o líquido em pó após congelamento e remoção da água. Essa característica traz vantagens importantes para um país continental como o Brasil: o produto se torna mais estável durante transporte e armazenamento, exigindo apenas refrigeração padrão (entre 2°C e 8°C) – a mesma usada pela maior parte das vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Segurança e eficácia comprovadas

Testes clínicos acompanharam voluntários por cinco anos, período em que a vacina manteve sua eficácia. O imunizante se mostrou seguro tanto para pessoas que já tiveram dengue quanto para quem nunca teve contato com o vírus. As reações adversas foram predominantemente leves a moderadas – como dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga –, com eventos graves ocorrendo em parcela mínima dos vacinados e com recuperação completa.

Capacidade de produção em expansão

O Butantan tem capacidade inicial estimada em 1,2 milhão de doses por ano, com planos de ampliação já em andamento. Para atender à demanda nacional mais rapidamente, foi estabelecida parceria com o laboratório chinês Wuxi, que permitirá a entrega de até 30 milhões de doses ao Ministério da Saúde já em 2026. A vacina chega como uma ferramenta poderosa no combate a uma doença que há décadas desafia o sistema de saúde brasileiro.