A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta segunda-feira (9) que acionou a Polícia Federal (PF) para investigar usuários da internet que publicaram vídeos fazendo apologia à violência contra a mulher. Os conteúdos, que se espalharam rapidamente pelas redes sociais nos últimos dias, mostram homens simulando chutes, facadas e socos em cenários de recusa em relacionamentos, como um fora, beijos ou pedido de casamento.
As publicações foram legendadas com os dizeres: “Treinando caso ela diga não”, o que, segundo a AGU, configura uma clara incitação à violência de gênero. O órgão federal destacou que os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok e já foram removidos da plataforma, mas que os responsáveis devem ser investigados criminalmente.
Em nota oficial, a AGU afirmou que “a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”. A posição reforça o entendimento de que discursos de ódio online podem ter consequências reais, alimentando uma cultura de violência que já vitima milhares de brasileiras todos os anos.
Os acusados podem responder por crimes como incitação ao feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher. A medida da AGU busca coibir a propagação de conteúdos que normalizam a agressão, especialmente em um contexto onde o Brasil enfrenta altos índices de violência de gênero.
A reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, abordou essa trend preocupante, destacando como vídeos aparentemente “brincadeiras” podem incentivar comportamentos criminosos. O tema também foi tratado no programa Caminhos da Reportagem, que discutiu o ódio contra mulheres nas redes sociais, e em matérias que alertam sobre a viralização de conteúdos violentos na internet.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “não podemos nos conformar com homens matando mulheres”, ecoando a urgência de ações como a da AGU. A iniciativa representa um passo importante no combate à misoginia digital, mostrando que autoridades estão atentas às novas formas de disseminação do discurso de ódio.
A investigação da PF deve apurar a autoria dos vídeos e possíveis conexões com outros casos de violência, reforçando a necessidade de responsabilização perante a lei. Especialistas em direitos humanos alertam que a banalização da agressão, mesmo em formato de simulação, contribui para um ambiente hostil que coloca em risco a segurança das mulheres no país.

