A Agência Brasil, veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), completa 36 anos de existência como um dos pilares do jornalismo público no país. Criada em 1990, a agência começou como um difusor de notícias do governo e se transformou em um veículo público que distribui gratuitamente conteúdo jornalístico profissional para veículos de todo o Brasil. Pesquisadores e entidades do setor destacam a importância da agência para a pluralização das pautas, o combate à desinformação e o fortalecimento da cidadania.

De acordo com o professor de jornalismo Pedro Aguiar, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a gratuidade da distribuição da Agência Brasil "democratiza o acesso a essa informação de necessidade e de demanda social". O pesquisador também ressalta que a agência presta informações relevantes sobre serviços públicos, como campanhas de vacinação e programas sociais, além de cobrir temas de economia que afetam o dia a dia da população.

Pedro Aguiar considera que manter o investimento na Agência Brasil é estratégico para o Estado brasileiro. "Qualquer agência de notícias é um investimento estratégico que um país pode fazer", afirmou, destacando que o veículo funciona como uma "vacina contra a desinformação". Ele sugere que a agência amplie sua capilaridade, com correspondentes em todas as regiões do Brasil e até no exterior, para cobrir conflitos e eventos internacionais de forma mais independente.

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O professor Fernando de Oliveira Paulino, da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (Alaic), defende que um país que busca soberania precisa de uma agência de notícias pública fortalecida. "É essencial que o trabalho desenvolvido pela agência seja reconhecido e com as condições necessárias", afirma, lembrando que a agência deve atuar alinhada aos princípios constitucionais de liberdade de expressão e acesso à informação.

O diretor de jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Moacyr de Oliveira Filho, ressalta que, em um país de dimensões continentais como o Brasil, a Agência Brasil cumpre um papel estratégico ao levar "informação confiável para todas as regiões, fortalece o jornalismo regional e contribui para o combate à desinformação". Ele destaca que, ao longo de 36 anos, a agência construiu uma trajetória de "serviço público, credibilidade e valorização do jornalismo".

A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, acrescenta que "em um cenário marcado pela desinformação e pela concentração dos grandes meios de comunicação, uma agência pública forte garante acesso a informações de interesse público e compromisso com a sociedade brasileira". Ela defende o fortalecimento da Agência Brasil como forma de garantir transparência pública e pluralidade de vozes.

O professor Pedro Aguiar observa que a maior parte da mídia privada está subfinanciada, o que aumenta o risco de a comunicação servir a interesses de oligopólios. Nesse contexto, a manutenção do investimento na Agência Brasil reforça o compromisso com a democratização da informação. Ele cita os exemplos da Argentina e do México, que cortaram recursos de agências públicas, tornando a população mais vulnerável à desinformação.

A Agência Brasil também se destaca pelo crescimento no acesso: nos últimos dois anos, o percentual de acesso ao veículo público cresceu 40%, ampliando sua capilaridade e alcance. Com conteúdo gratuito e de qualidade, a agência se consolida como uma ferramenta essencial para a pluralidade da informação no Brasil.