A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) concluiu nesta sexta-feira (17) uma semana intensiva de capacitação técnica em Guarapuava, no Centro-Sul do estado, focada na prevenção e controle de duas importantes zoonoses: a raiva e as encefalopatias espongiformes transmissíveis (EETs). O treinamento, realizado entre os dias 13 e 17 de maio, reuniu servidores da área de defesa agropecuária em atividades teóricas e práticas que ocorreram no Sindicato Rural do município e na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).

O objetivo central foi aprimorar os procedimentos de vigilância, diagnóstico e atuação em campo, fortalecendo tanto a sanidade animal quanto a segurança da produção pecuária paranaense. A programação foi estruturada para garantir uma abordagem completa dos temas, combinando conteúdos técnicos com operações práticas que simulam situações reais de trabalho.

Entre os principais pontos abordados estiveram a raiva dos herbívoros e a encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida popularmente como "doença da vaca louca". Os participantes receberam orientações detalhadas sobre coleta de material do sistema nervoso central dos animais, uso correto de equipamentos de proteção individual (EPI) e operação de sistemas oficiais como o e-Sisbravet, do Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias, vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

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De acordo com a médica veterinária da Adapar, Elzira Jorge Pierre, responsável pela condução do treinamento, a promoção periódica dessas capacitações é fundamental para manter as equipes atualizadas e preparadas para atuar frente a doenças de grande impacto sanitário. "Estamos tratando de zoonoses que exigem vigilância constante e resposta rápida, por isso investir na qualificação contínua dos nossos servidores é essencial para garantir a efetividade das ações de defesa agropecuária e a proteção da saúde animal e humana no Paraná", afirma.

Um dos momentos mais emblemáticos do treinamento foi a atividade prática de captura de morcegos hematófagos em abrigos cadastrados da região. Essa etapa é considerada essencial para o monitoramento e controle da transmissão da raiva, já que esses morcegos são os principais transmissores da doença para herbívoros. Também integraram a capacitação práticas laboratoriais de colheita e manejo de amostras, conduzidas no câmpus Cedeteg da Unicentro, que fortaleceram a integração entre teoria e prática.

A ação foi dividida em duas turmas, com o intuito de alcançar um maior número de servidores e garantir o melhor aproveitamento das atividades. Ao final do treinamento, os participantes retornam às suas unidades locais com atualização técnica e padronização de procedimentos, contribuindo diretamente para a resposta rápida a suspeitas e para a manutenção dos programas sanitários no Paraná.

Os treinamentos técnicos fazem parte de uma estratégia contínua da Adapar para qualificação de suas equipes e fortalecimento da defesa agropecuária. Nos últimos anos, a Agência tem promovido capacitações periódicas voltadas à vigilância da raiva e outras doenças de interesse sanitário e econômico, especialmente em regiões com histórico de notificações ou maior risco epidemiológico. Em outubro de 2025, a autarquia promoveu um evento de conscientização sobre a doença no Oeste do Paraná.

Uma ação concreta que surgiu a partir dos ciclos de treinamento e conscientização sobre a zoonose foi a publicação de uma portaria que estabeleceu a obrigatoriedade da vacinação contra a raiva em 30 municípios do estado, levando em consideração a localização – próximos ao parque nacional do Iguaçu – e a incidência elevada em relação a outras regiões. Essas ações ampliam a capacidade de detecção precoce, padronizam protocolos e garantem maior eficiência nas respostas a ocorrências, alinhando o Paraná às diretrizes nacionais de sanidade animal.