A música é talvez a forma de arte mais acessível que existe. Está no ar, nos assalta de surpresa, e, como lembra Chico Buarque, exige atenção total - não é como contar uma piada. É, para muitos, uma forma de oração.

O rádio foi a primeira plataforma de difusão musical em larga escala, com suas ondas curtas, médias e FM levando sons de qualquer lugar para o mundo todo - uma revolução que antecipou a era digital. No Brasil, o sistema de radiodifusão tem história complexa e polêmica, onde grupos com interesses políticos e religiosos se tornaram principais detentores das concessões.

Se no princípio a música dominava as programações, hoje um passeio pelo dial de uma grande cidade como São Paulo pode ser desolador. Pregação, notícias falsas e manipulação dividem espaço com emissoras que tocam música apenas como muzak - aquele 'sonzinho' de fundo que não incomoda ninguém.

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Em contraste, lembra-se com saudade do 'Programa do Casé' das décadas de 1930 e 1940, pioneiro em unir propaganda e fundo musical, mostrando que o rádio já soube ser muito mais que apenas som ambiente.