Trinta e cinco adolescentes que cumprem medida socioeducativa em centros da Fundação Casa em São Paulo vão iniciar uma nova etapa em suas vidas: o ensino superior. Eles foram aprovados no vestibular da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) e começam seus cursos com bolsas integrais, um marco que demonstra o poder transformador da educação mesmo em contextos desafiadores.

Essa conquista é resultado do projeto Sou Futuro, uma parceria entre o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Unimes, o SBT do Bem e a própria Fundação Casa. Desde 2021, a iniciativa já abriu as portas da graduação para mais de 200 jovens atendidos pela instituição, oferecendo uma oportunidade concreta de recomeço através do conhecimento.

O número chama atenção pelo contexto em que esses adolescentes se encontram. Dentro dos centros socioeducativos, eles se inscreveram no vestibular, se prepararam com o apoio das equipes pedagógicas da Fundação Casa e enfrentaram a prova online. Os 35 aprovados estão distribuídos em 24 unidades da capital, região metropolitana, litoral e interior do estado.

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Os cursos são oferecidos na modalidade de educação a distância (EAD), com opções de tecnólogo, licenciatura e bacharelado. Cada jovem escolheu uma área alinhada aos seus interesses pessoais e profissionais. Entre as graduações selecionadas estão Design Gráfico, Segurança da Informação, Gestão Hospitalar, Logística, Marketing e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Para o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Arthur Lima, essa conquista vai além dos números. "Ver jovens em cumprimento de medida socioeducativa passando em vestibulares e escolhendo cursos superiores é a demonstração mais concreta de que a política socioeducativa funciona quando é levada a sério", destaca. "A educação é o caminho mais eficaz para romper ciclos de vulnerabilidade, e o Estado de São Paulo está comprometido em garantir esse acesso mesmo nos contextos mais desafiadores".

O presidente interino da Fundação Casa, Oswaldo Caetano Jr., reforça o impacto dessa oportunidade na vida dos adolescentes. "Quando um adolescente conquista uma vaga na universidade, ele reconstrói sua autoestima, amplia seus horizontes e fortalece seu projeto de vida", afirma. "O acesso ao ensino superior é uma das ferramentas mais poderosas de transformação que podemos oferecer a esses jovens".

O projeto Sou Futuro também alcança jovens fora do sistema socioeducativo. Ao longo desses anos, participaram da iniciativa adolescentes em acolhimento institucional e integrantes de programas sociais em Osasco, expandindo o alcance da oportunidade educacional.

A Fundação Casa, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a instituição executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade determinadas pelo Poder Judiciário, sempre pautando-se na humanização e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social.

Essa nova turma de universitários representa não apenas uma conquista pessoal para cada um dos 35 adolescentes, mas também um avanço significativo nas políticas de reinserção social. Através da educação, eles constroem novas perspectivas para o futuro, demonstrando que mesmo em situações de restrição de liberdade, o aprendizado e o desenvolvimento pessoal podem florescer.